Premiado no Brasil e no exterior, multiartista assina direção musical e trilha sonora de diversos projetos aclamados, como “O Motociclista no Globo da Morte”, se destaca em festivais dentro e fora do país e acaba de conquistar mais premiações para sua já numerosa galeria
Não é de hoje que Muato vem fazendo história no teatro. Essa trajetória vitoriosa se iniciou praticamente assim que o artista se deu conta de que o palco poderia ser o habitat ideal para o enlace perfeito de seus múltiplos talentos e toda sua capacidade criativa. Desde então, passou a colecionar trabalhos aclamados e, consequentemente, a empilhar premiações.
Ele acaba de conquistar o seu segundo Prêmio Shell, dessa vez na categoria música pelas composições e direção musical da peça “VINTE!”, e o Prêmio APCA, na categoria Programa/Memória/Projeto/
No 34º Festival de Curitiba, Muato teve mais um momento de consagração desembarcando com dois espetáculos em um dos maiores eventos do segmento teatral na América Latina. Além de “VINTE!”, levou o fenômeno “O Motociclista no Globo da Morte”, estrelado por Eduardo Moscovis e dirigido por Rodrigo Portella, que tem a sua grife na trilha sonora.
- Eu penso que o exercício do artista é o de uma atenção máxima à criação, ao detalhe. Sabe aquele detalhe que pode passar como irrelevante? Pra gente, não pode ser. A gente está trabalhando para criar linguagem, uma linguagem que serve ao que a humanidade não dá conta de tocar de outra forma. É esse entendimento que nos impulsiona a ficar horas tecendo um único som – reflete.
As novas premiações se somam a uma galeria que inclui títulos como o Prêmio Shell de Teatro pela direção musical, percussão corporal e trilha original de “Pelada – A Hora da Gaymada” – trabalho com o Complexo Negra Palavra, grupo que Muato integra desde 2019 –, o Prêmio FITA, na categoria música, por “O Admirável Sertão de Zé Ramalho”, com Plínio Profeta, ambos conquistados em 2024, o Prêmio APTR de 2020 pela música da peça “OBORÓ, Masculinidades Negras” e de 2021 com o elenco de “Negra Palavra – Solano Trindade”, e sete estatuetas na edição de 2019 do Awards Deutscher Rock & Pop Preis, na Alemanha. Isso sem falar nas inúmeras indicações, como no sucesso infantil “O Pequeno Herói Preto” e na trilha do elogiado documentário “Rio Negro”. Não à toa recebeu a alcunha nos bastidores de “Quincy Jones do teatro brasileiro”, em alusão ao prestigiado produtor musical, arranjador e compositor estadunidense.
- Está sendo incrível ganhar tantos prêmios! É um reconhecimento que a gente precisa para estar nesse mundo. Só é importante não perder a conexão com o outro mundo, não deixar isso ser condutor, mas aceitar e curtir cada prêmio como consequência – comemora, porém com os pés no chão.
Conexão Brasil-Angola
De 29 de junho a 12 de julho, Muato representará o Brasil em Angola. Em Luanda, estará com o Complexo Negra Palavra para apresentar o espetáculo “Poesia do Samba - Solano Trindade”, através do edital de mobilidade internacional da FUNARTE. Além disso, ele levará o seu show "DERÊ - Concerto sobre o Pagode". Já em Cazenga, participará do festival FESTECA.
Talento vem de berço... e de CEP
Cria de Vila Isabel, bairro do subúrbio carioca famoso por revelar ícones da nossa cultura, como Noel Rosa, Martinho da Vila e Carlos Dafé, Muato iniciou sua trajetória no estudo da música de concerto, mas foi muito além, se destacando pela sua atuação em diversas frentes e expressões artísticas. E mergulhou de cabeça no teatro. Fundou a Orquestra de Pretxs Novxs, que estreou em 2019 com o espetáculo “Reza”, dirigido por Carmen Luz, realizando as composições, arranjos e direção musical, além de estar em cena como ator. Atuou em produções aclamadas por público e crítica, como “Andança – Beth Carvalho”, “Cartola – O Mundo é um Moinho”, “Rio Mais Brasil – O Nosso Musical”, “Dona Ivone Lara - Um Sorriso Negro” e “Quando a Gente Ama”. Ao longo do tempo, foi consolidando sua marca como compositor, ator, diretor e uma linguagem ímpar caracterizada pela utilização de recursos expressivos, como percussão vocal e corporal e arranjos vocais com sonoridades não convencionais.
Destaque em espetáculos sobre ícones da música
Outra marca da sua jornada teatral é a presença em espetáculos sobre grandes nomes da música no Brasil e no exterior. Estão na lista a superprodução “Ray — Você Não Me Conhece”, que homenageia o icônico artista norte-americano Ray Charles, na qual assina as composições e divide a direção musical com Claudia Elizeu, os musicais “O Admirável Sertão de Zé Ramalho”, quando foi aclamado pela crítica e pelo público atuando no palco – interpretando um jovem Zé Ramalho – e na direção musical (em parceria com Plínio Profeta), e “Djavanear - Um Tanto Flor, Um Tanto Mar”, na direção musical com Alfredo Del-Penho. Em “Chega de Saudade!”, faz a direção musical, ao lado de Felipe Storino, e encena, retomando-se ficcionalmente personagens, biografias e memórias da Bossa Nova no Rio de Janeiro das décadas de 1950 e 1960, em uma versão somente com atrizes e atores negros.
Novos projetos
Muato não para e engata três novos trabalhos. No espetáculo “Os Irmãos Timótheo da Costa”, que retrata a vida e a obra dos irmãos João (1879 – 1932) e Arthur (1882 – 1922) Timótheo da Costa, pintores que se destacaram na cena artística nacional no início do século XX, assina a direção musical e as composições originais, com direção geral de Luiz Antonio Pilar e dramaturgia de Claudia Valli. Em “Nó”, peça de autoria de Gildon Oliveira que se dedica a refletir sobre o amor e o luto a partir da perspectiva de um casal negro de meia-idade, faz a direção musical. Já “O Começo do Fim”, produção estrelada por Isabel Fillardis e Well Aguiar, tem a sua trilha sonora, que se entrelaça à direção de Rubens Camelo, à supervisão de Amir Haddad, ao texto de Denise Crispun e à atuação do casal para abordar os desafios das relações afetivas contemporâneas.
Em paralelo, vive a expectativa de mais uma premiação, o APTR, com o infantil “Solaninho, Uma Viagem com o Poeta do Povo”, que conta de forma lúdica os primeiros passos de Solano Trindade, pioneiro da Literatura Negra no Brasil, onde é responsável pela direção musical e a percussão corporal.
Rede social de Muato: @muatomuato
























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