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Confira os mais belos poemas para o Dia dos Namorados


Uma seleção de poemas inesquecíveis para celebrar o amor em toda a sua intensidade.


O amor sempre encontrou na poesia uma de suas formas mais belas de expressão. Em diferentes épocas e estilos, grandes poetas transformaram sentimentos em versos capazes de atravessar gerações e continuar emocionando leitores. Para celebrar o Dia dos Namorados, reunimos alguns dos mais belos poemas de amor da literatura, escritos por autores que fizeram da paixão, da saudade e da entrega matéria-prima de obras inesquecíveis. 

 

1. Amor é fogo que arde sem se ver – Luís de Camões


Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

2. Soneto de Fidelidade – Vinícius de Moraes


De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

3. Fanatismo – Florbela Espanca


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não és sequer razão do meu viver

Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No mist’rioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!...

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:

“Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!.

 

4. Amores Eternos – Augusto Branco


Eu acredito em amores eternos,

daqueles que acompanham a gente pela vida inteira,

como se tempo e amor se fundissem num só elemento,

tornando-se imutáveis, indestrutíveis.

 

Eu acredito em amores eternos,

daqueles que vão com você para qualquer lugar,

não importando o quão distante você esteja,

porque a pessoa amada reside em seu próprio coração.

 

Acredito em amores eternos e sublimes,

capazes de reconsiderar tudo,

com suavidade, ternura e perdão.

 

Acredito, sim, em amores para toda a vida, e além da vida,

pois seria um tipo de amor unido à própria alma,

e sem alma a vida não tem razão.

 

Amores eternos existem sim, e superam qualquer coisa.

Mesmo quando ninguém mais acredita neles,

eles continuam sempre à espreita,

esperando apenas um olhar, um retorno, uma reconciliação.

 

 

5. Soneto XVII – Pablo Neruda

 

Não te amo como se fosses uma rosa de sal, um topázio

ou uma flecha de cravos que propagam fogo:

amo-te como se amam certas coisas obscuras,

secretamente, entre a sombra e a alma.

 

Amo-te como a planta que não desabrocha, mas carrega

em si a luz dessas flores, oculta,

e graças ao teu amor o aroma intenso que brota

da terra vive, ainda que tenuemente, em meu corpo.

 

Amo-te sem saber como, nem quando, nem de onde,

amo-te diretamente, sem problemas nem orgulho:

amo-te assim porque não sei

       amar de outra forma,

a não ser desta maneira em que nem eu nem tu existimos,

tão perto que a tua mão no meu peito é minha,

tão perto que os teus olhos se fecham com os meus sonhos.

 

 

6. Presságio – Fernando Pessoa

 

O AMOR, quando se revela,

 Não se sabe revelar.

 Sabe bem olhar p'ra ela,

 Mas não lhe sabe falar.

 

 Quem quer dizer o que sente

 Não sabe o que há de dizer.

 Fala: parece que mente...

 Cala: parece esquecer...

 

 Ah, mas se ela adivinhasse,

 Se pudesse ouvir o olhar, 

 E se um olhar lhe bastasse

 P'ra saber que a estão a amar!

 

 Mas quem sente muito, cala;

 Quem quer dizer quanto sente

 Fica sem alma nem fala,

 Fica só, inteiramente!

 

 Mas se isto puder contar-lhe

 O que não lhe ouso contar,

 Já não terei que falar-lhe

 Porque lhe estou a falar...

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