em idade reprodutiva, mas o diagnóstico ainda pode levar anos
O mês de março ganha a cor amarela para acender um alerta fundamental sobre a saúde feminina: a conscientização sobre a endometriose. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Apesar de ser comum, a doença ainda é cercada de desinformação, o que faz com que muitas pacientes convivam com dores incapacitantes por anos até receberem o diagnóstico correto.
A endometriose ocorre quando o endométrio – tecido que reveste o interior do útero – cresce fora do órgão, atingindo regiões como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse processo gera uma inflamação crônica que, além de comprometer severamente a qualidade de vida, é uma das principais causas de infertilidade feminina. “O ambiente inflamatório gerado pela doença pode prejudicar a qualidade dos óvulos e dificultar a implantação do embrião no útero. A endometriose também pode criar cicatrizes internas, que obstruem as trompas, ou atingir os ovários, formando cistos. Neste caso, tanto a própria doença quanto as cirurgias necessárias para removê-la levam à diminuição da quantidade de óvulos disponíveis”, explica Dra. Alessandra Evangelista, ginecologista especializada em Reprodução Humana da Clínica Vida (RJ), que integra o Fertgroup – maior grupo de reprodução assistida do país.
Para ajudar a identificar o problema precocemente, a especialista elenca os 5 principais sinais de alerta da endometriose:
- Cólicas menstruais intensas
A dor da endometriose é progressiva e incapacitante. Ela impede a mulher de realizar suas atividades diárias e pode piorar com o passar dos anos.
- Dor profunda durante a relação sexual
Muitas pacientes relatam uma dor no "fundo da pelve" durante a penetração. Isso ocorre devido à inflamação e às aderências causadas pela doença em estruturas próximas ao canal vaginal e ao colo do útero.
- Alterações intestinais ou urinárias no período menstrual
Se ir ao banheiro durante a menstruação for sinônimo de dor, é preciso investigar. O sangramento nas fezes ou na urina, acompanhado de dor ao evacuar ou urinar, pode indicar que focos de endometriose atingiram o intestino ou a bexiga.
- Dor pélvica crônica
Em estágios mais avançados, a dor deixa de ser exclusiva do período menstrual e passa a ser constante. É uma dor na região do baixo ventre que se mantém presente na maior parte do mês, afetando diretamente a saúde mental e física da mulher.
- Dificuldade para engravidar (infertilidade)
Muitas mulheres só descobrem a endometriose quando tentam engravidar e não conseguem. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 30% a 50% das mulheres com a doença enfrentam a infertilidade.
É possível ser mãe!
O diagnóstico de endometriose não significa o fim do sonho da maternidade. A medicina reprodutiva moderna oferece diversos caminhos para possibilitar a gravidez e proteger a saúde da mulher. Para as pacientes que têm a doença, mas não planejam engravidar no momento, o congelamento de óvulos surge como indicação preventiva. "Ele funciona como uma excelente opção e, mesmo que a doença progrida ou exija cirurgias que afetem a reserva ovariana, com a quantidade de óvulos disponíveis, essa mulher terá a chance de planejar sua maternidade no futuro", esclarece Dra. Alessandra.
Já para aquelas que desejam engravidar imediatamente e enfrentam dificuldades, os tratamentos disponíveis incluem:
- Fertilização in Vitro (FIV): É o tratamento mais eficaz, pois o encontro do óvulo com o espermatozoide é feito em laboratório, "pulando" as barreiras anatômicas e inflamatórias que a endometriose causa na pelve.
- Cirurgia especializada (laparoscopia): Em alguns casos, remover as lesões de endometriose pode restaurar a anatomia e aliviar o ambiente inflamatório, facilitando a gravidez natural ou melhorando as taxas de sucesso de uma futura FIV.
- Inseminação artificial: Pode ser recomendada apenas em casos de endometriose muito leve, onde as trompas não foram afetadas pela doença.
Quando buscar ajuda?
Ao identificar um ou mais dos sintomas de alerta, o primeiro passo é buscar um ginecologista. O diagnóstico inicial é clínico, baseado no histórico da paciente, e pode ser confirmado por exames de imagem especializados, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética da pelve.
Embora a endometriose seja uma condição crônica, o acompanhamento médico adequado e os tratamentos personalizados permitem controlar a progressão da doença, devolver a qualidade de vida e, principalmente, proteger a capacidade reprodutiva da mulher.























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