Segundo Darwin Grein, CEO da Juntxs, adaptação passa pela capacitação de lideranças, revisão das relações de trabalho e fortalecimento da cultura organizacional
Com a entrada em vigor das novas regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) prevista para o próximo dia 26 de maio, empresas brasileiras vivem um período de adaptação às exigências relacionadas à prevenção de riscos psicossociais no ambiente corporativo. A atualização propõe que fatores ligados ao adoecimento emocional dos trabalhadores passem a integrar oficialmente as estratégias de segurança e saúde no trabalho.
Segundo a ata do Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, situações relacionadas a excesso de demandas no trabalho, assédio de qualquer natureza e falta de suporte passam agora pela identificação de riscos e medidas preventivas contra danos emocionais.
“Uma vez que o foco da atualização da NR1 é o bem-estar do trabalhador, diretorias C-level, profissionais sêniores e CEOs devem se atentar para os benefícios da inclusão dos fatores psicossociais na aplicação da Norma. Se trabalhado estrategicamente, esse olhar interno pode representar uma redução das faltas (absenteísmo), rotatividade (turnover) e, consequentemente, um aumento na ‘produtividade’ das empresas. Esses benefícios podem reduzir perdas, tanto no setor público, quanto no privado”, comenta o CEO da Juntxs, Darwin Grein, que atua há mais de quinze anos com desenvolvimento humano e organizacional.
Nos últimos anos, o avanço dos afastamentos relacionados à saúde mental ampliou o debate sobre ambientes corporativos e adoecimento emocional. Um levantamento recente do Ministério da Previdência Social mostra que os afastamentos por burnout cresceram 823% nos últimos quatro anos.
De acordo com estimativas da Organização Internacional do Trabalho, divulgadas através do relatório “O ambiente de trabalho psicossocial”, os riscos psicossociais representam uma perda anual de 1,37% do PIB global.
Segundo Darwin, concretizar esse avanço significa a finalização de uma espera de quase meio século, desde a criação da Norma NR-1 em 1978. “Foram necessários 48 anos, aproximadamente, para que as normas de ‘segurança e saúde no trabalho’ (SST) fossem ocupadas pelo escopo dos riscos psicossociais ao trabalhador”, explica.
Apesar dos atrasos na configuração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que previu modificações da NR-1 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ainda na portaria 1.419/2024, empresas já iniciam processos internos de adequação às novas exigências dos ambientes de trabalho.
“Em nível operacional, a implementação começa pelo mapeamento das situações de risco no cotidiano das equipes. Isso inclui revisão de cargas de trabalho, análise de jornadas, canais de denúncia e avaliação da qualidade das relações de trabalho. O ponto central, no entanto, é a capacitação das lideranças para identificar sinais de adoecimento emocional e agir preventivamente”, revela.
No contexto de implementação da NR-1, alguns pontos devem ganhar atenção das organizações nos próximos meses:
Revisão das cargas de trabalho e distribuição de demandas;
Análise das jornadas e da dinâmica operacional das equipes;
Fortalecimento dos canais internos de denúncia e escuta;
Capacitação de lideranças para identificação preventiva de sinais de adoecimento emocional;
Avaliação das relações de trabalho e da comunicação entre áreas.
À frente da Juntxs, que possui em seu portfólio marcas como Votorantim, Boticário, Nestlé, Banco Pan, Unilever, entre outros conglomerados, Darwin Grein revela que o desafio das organizações é reestruturar a cultura organizacional. Segundo ele, metodologias colaborativas e vivenciais de treinamento e desenvolvimento são maneiras de capacitar lideranças, ampliar os canais de comunicação dentro das equipes e apoiar as organizações a evoluírem a partir de suas relações.
“Estamos acostumados com desafios corporativos, como o baixo engajamento, dificuldades de integração entre áreas, falhas de comunicação e desalinhamento de lideranças. Esse cenário costuma impactar o resultado final, aumentar os turnovers, gerar conflitos e enfraquecer o clima organizacional. Estamos falando de uma reestruturação da cultura organizacional e das dinâmicas entre os colaboradores. Nesse sentido, a NR-1 funciona como um marco regulatório que orienta essa mudança, ao incorporar de forma mais nítida a prevenção dos riscos psicossociais dentro da gestão de segurança e saúde no trabalho”, conclui.























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