Luiz Henrique Romagnoli afirma que mercado ficou mais competitivo e exige profissionais capazes de trabalhar com dados, vídeo, redes sociais e diferentes formatos
As redações esportivas diminuíram, algumas funções tradicionais desapareceram e o jornalista passou a acumular novas habilidades, mas a expansão do digital e, principalmente, do audiovisual abriu outras possibilidades de atuação no setor. A avaliação é de Luiz Henrique Romagnoli, editor-chefe do Lance!, que vê um mercado mais competitivo, no qual saber apenas escrever já não é suficiente para quem pretende construir carreira no jornalismo esportivo.
Durante encontro com alunos da disciplina de Jornalismo Esportivo da Universidade Veiga de Almeida, Romagnoli afirmou que as oportunidades estão cada vez mais concentradas no ambiente digital e audiovisual. Além da capacidade de apuração, profissionais precisam hoje compreender audiência, dados, SEO, redes sociais, vídeo e diferentes linguagens de produção de conteúdo.
“Hoje você consegue mostrar o seu trabalho, consegue aparecer e consegue ser visível”, afirmou. Segundo ele, essa facilidade também ampliou a concorrência, já que jornalistas, influenciadores, comentaristas e produtores independentes disputam a atenção do mesmo público.
Romagnoli destacou ainda uma transformação que tornou a reportagem esportiva mais complexa: o fechamento progressivo dos clubes ao contato direto com jornalistas. Se no passado setoristas acompanhavam treinos, conversavam diretamente com jogadores, treinadores e dirigentes e chegavam a realizar entrevistas nas casas dos atletas, hoje boa parte dessa relação é intermediada pelas assessorias de imprensa.
Para o editor-chefe do Lance!, a mudança torna ainda mais importante a capacidade de construir e cultivar fontes. “A fonte vale ouro”, afirmou ao explicar que bons contatos continuam sendo decisivos para conseguir informações exclusivas e bastidores.
Outro ponto destacado foi a crescente importância dos dados. Segundo Romagnoli, o jornalismo esportivo brasileiro passou durante muito tempo por uma cultura em que análise e opinião se confundiam. Hoje, segundo ele, não é possível produzir uma análise consistente sem recorrer a números e evidências.
“Se você quer fazer análise esportiva, seja de que modalidade for, você tem que trabalhar com dados porque opinião é diferente de análise”, afirmou.
Romagnoli também chamou atenção para o impacto da tecnologia na apuração. Se, por um lado, o acesso a informações, fontes e estatísticas se tornou muito mais fácil, por outro aumentou a responsabilidade dos profissionais diante da velocidade de circulação de informações incorretas. “Hoje, o erro jornalístico é rapidamente apontado”, disse.
Para ele, essa fiscalização permanente do público pode contribuir para elevar a qualidade do trabalho jornalístico, principalmente em um ambiente no qual qualquer pessoa pode produzir e distribuir conteúdo.
A formação cultural também foi apontada como um diferencial. Romagnoli recomendou que futuros jornalistas não concentrem seus conhecimentos apenas no esporte e busquem referências em história, economia, política, literatura e outras áreas.
“Leiam, leiam, leiam, leiam muito. Leiam de tudo que vocês puderem o tempo todo”, aconselhou.
Ao abordar a construção das reportagens, o jornalista defendeu ainda que o profissional precisa buscar histórias que ultrapassem o resultado de uma partida ou competição. Para ele, o desafio está em encontrar contexto, personagens, dados e acontecimentos capazes de revelar aquilo que não está evidente no fato principal.
A ética também entrou no debate, especialmente diante da presença crescente das casas de apostas no financiamento de clubes, campeonatos e veículos de comunicação. Romagnoli classificou a relação como uma questão delicada para o jornalismo esportivo e defendeu que os novos profissionais estejam preparados para discutir os limites entre conteúdo jornalístico, publicidade e interesses comerciais.
Para quem está entrando no mercado, a recomendação é combinar formação, iniciativa e versatilidade. Além das redações, Romagnoli apontou oportunidades em produção audiovisual, redes sociais, assessorias de imprensa, marketing esportivo, clubes, federações e entidades ligadas ao esporte.
























0 Comentários
Para comentar neste Blog você deve ter consciência de seus atos, pois tudo que aqui é postado fica registrado em nossos registros. Tenha em mente que seu respeito começa quando você respeita o próximo. Lembre-se que ao entrar aqui você estará em um ambiente bem descontraído e por isso contribua para que ele sempre fique assim. Não esqueça que os comentários são moderados e só iram ao ar depois de uma analise e se passarem por ela iremos publicar, caso não ele será deletado. Para os novos comentários via Disqus ou Facebook a moderação não se faz necesária, já que o nome do usuário fica salvo nos comentários.
Obrigado pela visita e volte sempre.