Retinopatia diabética é a principal causa de cegueira evitável do mundo, podendo afetar os olhos antes mesmo do diagnóstico.
O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo. Segundo a International Diabetes Federation, cerca de 589 milhões de adultos (20 a 79 anos) vivem com diabetes no mundo em 2025. No entanto, os seus impactos vão muito além do controle da glicemia. Entre as complicações mais preocupantes estão os problemas oculares, que podem levar à perda parcial ou total da visão quando não diagnosticados e tratados precocemente.
No dia 26 de junho, comemora-se o Dia Nacional da Diabetes, que visa alertar sobre os impactos da doença na saúde como um todo, incluindo os olhos. Segundo a oftalmologista Dra. Luciana Valença, do Instituto de Olhos Recife (IOR), o excesso de açúcar no sangue afeta diretamente os vasos sanguíneos que irrigam a retina, estrutura responsável por captar as imagens e enviá-las ao cérebro. "O diabetes afeta os olhos principalmente devido ao excesso crônico de glicose no sangue, que danifica os pequenos vasos sanguíneos que nutrem a retina. Com o passar do tempo, podem surgir microaneurismas, micro hemorragias, vazamento de fluido ou sangue e falta de oxigenação na retina, levando à formação de novos vasos frágeis e anormais", explica.
Entre as principais doenças oculares associadas ao diabetes está a retinopatia diabética, considerada a complicação mais comum da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ela ocorre quando os vasos sanguíneos da retina se tornam frágeis e passam a apresentar vazamentos ou formação de vasos anormais. "Pode causar visão embaçada, manchas escuras na visão ou, nos estágios mais avançados, perda parcial ou total da visão", destaca a médica.
Outra condição frequente é o edema macular diabético, caracterizado pelo acúmulo de líquido na mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes. "O edema macular acontece quando há acúmulo de líquido nesta área central da visão, causando embaçamento, perda de visão central e distorção das imagens", afirma Luciana.
Além disso, pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver catarata precocemente e glaucoma neovascular, uma forma grave da doença causada pelo crescimento de vasos sanguíneos anormais que aumentam a pressão dentro dos olhos.
Complicações podem surgir anos após o diagnóstico
O tempo para o aparecimento das alterações oculares varia de acordo com o tipo de diabetes, o controle da glicemia e fatores individuais. Nos pacientes com diabetes tipo 1, a retinopatia diabética costuma ser rara nos primeiros cinco anos após o diagnóstico. Já no diabetes tipo 2, a situação é diferente. "Muitas pessoas já têm diabetes há anos antes de receber o diagnóstico. Isso ocorre porque o diabetes tipo 2 se desenvolve de forma silenciosa e pode agir no organismo por anos antes de ser descoberto. Por isso, já podem ter alterações na retina no momento em que descobrem o diabetes", alerta Luciana Valença.
A oftalmologista reforça que o controle inadequado da glicemia, da pressão arterial e do colesterol acelera o surgimento das complicações e aumenta a gravidade dos danos à visão.
Consultas regulares são a chave para a saúde ocular
De acordo com a especialista, pacientes sem sinais de retinopatia devem realizar o exame de fundo de olho pelo menos uma vez por ano. Quando a doença já está presente, a frequência pode aumentar para avaliações a cada três ou seis meses, dependendo da gravidade. "Gestantes com diabetes prévio também exigem acompanhamento mais próximo, já que o risco de piora da retinopatia aumenta durante a gravidez", ressalta Dra. Luciana Valença.
Embora algumas lesões oculares sejam irreversíveis, os avanços da medicina têm permitido controlar a progressão das doenças e preservar a visão de muitos pacientes. "O tratamento depende do tipo e da gravidade do problema ocular, tendo como pilar o controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol, que não só previnem como podem estabilizar ou retardar a progressão da retinopatia diabética", explica oftalmologista.
Entre as opções terapêuticas estão as injeções intravítreas, utilizadas para reduzir o edema macular e impedir o crescimento de vasos sanguíneos anormais; a fotocoagulação a laser, que ajuda a controlar vazamentos na retina; e a vitrectomia, indicada para casos avançados com sangramentos ou descolamento de retina.
Pacientes que desenvolvem catarata também podem se beneficiar da cirurgia para substituição do cristalino opaco por uma lente intraocular. Já nos casos de glaucoma, o tratamento pode incluir colírios, procedimentos a laser e até cirurgia.
A especialista reforça que o diagnóstico precoce continua sendo a melhor forma de evitar complicações graves. "Fazer exames oftalmológicos regulares é fundamental para identificar alterações ainda nas fases iniciais, quando as chances de preservar a visão são muito maiores", conclui Luciana Valença.
























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