O Dr. Michel Bittencourt diz que nos últimos anos o tratamento da doença ocular foi um dos que mais avançou na oftalmologia, mas muitos pacientes ainda perdem a visão por deixarem de fazer os exames preventivos.
A campanha Maio Verde chama atenção para um ponto essencial: quando o assunto é glaucoma, o tempo faz toda a diferença e agir cedo pode evitar sequelas permanentes. Silenciosa e progressiva, a doença ainda é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir e evitar a perda de visão.
No Brasil, a estimativa da Sociedade Brasileira de Glaucoma é de que até 2,5 milhões de pessoas acima dos 40 anos estejam com a doença ocular e que 70% delas desconhecem que têm a enfermidade. Isso porque o glaucoma crônico de ângulo aberto, tipo mais comum e que afeta até 90% dos pacientes, costuma ser assintomático e indolor, inclusive em casos mais avançados.
O Dr. Michel Bittencourt, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, o HOPE, explica que “na maioria das vezes, o glaucoma não dá sinais claros no início e a pessoa corre o risco de perder até 60% das células responsáveis pela visão sem perceber alterações significativas. Quando surgem sintomas, como embaçamento ou perda do campo visual periférico, a doença geralmente já avançou muito”.
De acordo com o médico, quando aparecem, os sintomas mais relatados são:
Perda de campo visual periférico: Manchas escuras no campo visual (escotomas), que evoluem para a "visão tubular" à medida que a doença avança;
Piora na qualidade da visão: Diminuição da visão e dificuldade para enxergar em ambientes com baixa iluminação;
Dores oculares ou de cabeça: Sintomas comuns, especialmente no caso de glaucoma agudo, que causa aumento súbito da pressão ocular;
Visão de halos: Surgimento de contornos brilhantes (auréolas) ao redor de luzes;
Vermelhidão e náuseas: Em crises de glaucoma agudo de ângulo fechado, podem ocorrer vermelhidão intensa nos olhos, dor forte, náuseas e vômitos.
O Glaucoma é causado principalmente pelo desequilíbrio entre a produção e a drenagem do humor aquoso, líquido transparente que nutre e hidrata as estruturas oculares. Ao se acumular, esse líquido eleva a pressão dentro do olho e danifica o nervo óptico, que é responsável por transmitir os impulsos nervosos ao cérebro para que as imagens sejam interpretadas. Esse aumento da pressão intraocular dificulta a circulação sanguínea, comprime e mata as fibras nervosas, resultando em perda de visão permanente.
Outros fatores de risco são histórico familiar, idade acima de 55 anos, alto grau de miopia, córneas finas, traumas oculares, uso prolongado de medicamentos corticoides ou algumas condições de saúde sistêmicas como diabetes descontrolado, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares. “A identificação do glaucoma depende de uma análise conjunta de diferentes avaliações oftalmológicas, que ajudam a entender o tipo de glaucoma e a definir qual é a pressão intraocular segura para cada paciente”, esclarece o especialista.
O Dr. Michel Bittencourt diz quais são os principais tipos de glaucoma:
Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA): Caracterizado por um aumento progressivo da pressão intraocular, é o tipo mais frequente. Geralmente assintomático nas fases iniciais, evolui de forma lenta, com perda gradual da visão periférica (lateral);
Glaucoma Primário de Ângulo Fechado (GPAF): Ocorre quando a íris bloqueia fisicamente a drenagem do humor aquoso, gerando aumento rápido da pressão ocular e dor intensa. É considerado uma emergência médica.
Glaucoma Secundário: Pode ser consequência de um trauma, inflamação, catarata, diabetes, uso de corticoides, entre outras condições que provocam o aumento da pressão dentro do olho.
O médico afirma que “o tratamento primordial para o glaucoma de ângulo aberto é por meio de um procedimento a laser chamado Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT). Realizada no próprio consultório, a técnica minimamente invasiva estimula o sistema de drenagem do humor aquoso, para reduzir a pressão intraocular. Secundariamente, quando a pressão não é controlada, são utilizados colírios para se chegar à pressão-alvo, que é a pressão ideal e segura para aquele paciente”.
As cirurgias são indicadas quando os colírios e tratamentos a laser não são suficientes para diminuir a pressão dentro do olho. Os procedimentos avançaram significativamente nos últimos anos e se tornaram mais precisos, seguros e com uma recuperação mais rápida do paciente. Vale reforçar que realizar exames oftalmológicos regulares é a principal medida para garantir o diagnóstico precoce do glaucoma e evitar sua progressão.























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