Cerca de 20% dos pacientes com Doença de Parkinson podem não ter tremor como manifestação clínica no curso inicial da doença
A esposa do ator Terry Crews — famoso por sua participação em séries como Todo Mundo Odeia o Chris e Brooklyn Nine-Nine —, Rebecca King, revelou recentemente que foi diagnosticada com a Doença de Parkinson, condição neurológica progressiva e incurável. Aos 60 anos, a produtora e cantora contou que convive com a doença há 11 anos.
De acordo com Rebecca, em 2012 surgiram os primeiros sinais, como dormência no pé esquerdo, que evoluiu para uma leve claudicação (popularmente conhecida como mancar). Inicialmente, um médico atribuiu o problema à prática excessiva de exercícios físicos. Posteriormente, um treinador pessoal observou que seu braço esquerdo ‘não balançava tanto quanto o direito’ durante as atividades.
Segundo Lukas Luna, geriatra e gerente médico da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação, a doença neurodegenerativa pode se manifestar de diversas formas. “20% dos pacientes com Doença de Parkinson podem não ter tremor como manifestação clínica no curso inicial da doença. Há diversos sintomas, que chamo de sinais invisíveis, que surgem logo no início, como a rigidez de movimentação e a lentificação dos movimentos, conhecida como bradicinesia”, explica. “A rigidez pode ser percebida como um ‘peso nos braços’, ‘corpo travado’. A família ou rede de apoio pode ficar atenta se o paciente tem caminhado com menor movimentação dos braços ao dar cada passo. Pode também ser percebida uma lentidão no momento de caminhar, escrever ou falar”, complementa.
King relatou que, com o passar do tempo, percebeu tremores nas mãos ao aplicar maquiagem. De imediato, ela reconheceu o sintoma; porém, ainda assim, o quadro foi tratado como ansiedade. Apenas três anos depois, após avaliação especializada, veio o diagnóstico de Parkinson.
Além da rigidez, Lukas Luna alerta para outros sinais que devem acender o alerta quanto à Doença, mas que ainda passam despercebidos por pacientes e familiares. “É o que chamamos de manifestações pré-clínicas, tais como constipação intestinal, hiposmia (perda do olfato) e alterações no sono (pesadelos, sono agitado com movimentação noturna), que se iniciam alguns anos antes dos sintomas mais tradicionais da Doença, como os tremores, lentidão de movimentos, caminhar arrastando os pés, postura inclinada para frente”, destaca.
No dia 11 de abril, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, doença essa que afeta o sistema nervoso central (região do cérebro responsável por receber e processar informações), em especial o sistema motor, responsável por controlar os movimentos do corpo. O Parkinson é causado pela redução progressiva da produção de dopamina, uma molécula cerebral responsável por controlar movimentos como andar, escrever e falar.
Segundo o Ministério da Saúde, o Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo. De acordo com estudo publicado em 2025 na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, estima-se que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais vivam atualmente com a doença. No entanto, ainda conforme o estudo, o número pode mais que dobrar até 2060, ultrapassando 1,2 milhão de casos.
Apesar de incurável, tem tratamento
O tratamento para a Doença de Parkinson é multidisciplinar. Como é progressiva e incurável, os cuidados focam em controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida. “Nesse processo, a reabilitação é essencial, pois o paciente que não é acompanhado por equipe multiprofissional tem um risco aumentado de apresentar uma progressão clínica mais rápida”, afirma Lukas.
O especialista destaca a atuação de diferentes especialidades durante o tratamento. “Muitos pacientes com a doença apresentam alterações da fala e da deglutição, então é importante o acompanhamento com a fonoaudiologia para evitar engasgos, que trazem risco à vida do paciente”, alerta.
Segundo o médico, a fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia e outros profissionais desempenham papel fundamental no acompanhamento a longo prazo, considerando que a Doença pode levar anos para progredir para estágios mais avançados. “Outro ponto importante é que pacientes com Parkinson, quando apresentam alguma patologia mais grave, como pneumonias, infecções ou necessidade de procedimentos cirúrgicos, precisam de um espaço de reabilitação intensiva. Há uma janela estreita para a recuperação funcional desses pacientes”, explica.























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