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Silencioso e evitável: câncer de colo do útero ainda é desafio no Brasil


Baixa adesão ao exame preventivo e à vacinação contra o HPV dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o número de mortes, afetando milhares de brasileiras todos os anos.

O câncer de colo do útero é o quarto tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Ministério da Saúde. Mesmo sendo um dos poucos tipos de câncer que contam com vacina para prevenção, a doença, além de apresentar alta mortalidade, ocupa o terceiro lugar entre os mais frequentes na população feminina brasileira, com estimativa de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres em 2025, segundo as entidades.

 

Causado por infecções persistentes por tipos oncogênicos — ou seja, que contribuem para o desenvolvimento de tumores — do vírus sexualmente transmissível Papilomavírus Humano (HPV), o câncer de colo do útero tem como principal forma de prevenção a vacinação contra o vírus.

 

Apesar de a vacina ser gratuita e disponibilizada pelo SUS, a adesão ainda é baixa no país. “Esse tipo de câncer ainda é uma realidade muito preocupante no Brasil e no mundo, pois está fortemente associado a mulheres de baixa renda, com menor acesso a serviços de saúde.” alerta Iolanda Matias, ginecologista oncológica do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas. “Os números pioraram após a pandemia. Nesse período, a incidência passou de 400 mil para mais de 600 mil novos casos por ano no mundo, em grande parte devido à interrupção da cadeia de prevenção, como a vacinação contra o HPV”, complementa.

 

No dia 26 de março, celebra-se o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, data que integra a campanha Março Lilás, dedicada à conscientização sobre a doença. Entre os principais fatores de risco estão o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, histórico de infecções sexualmente transmissíveis, tabagismo, sistema imunológico enfraquecido e multiparidade — ou seja, múltiplas gestações.

 

Nos estágios iniciais, a doença não apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. “Para se ter uma ideia, desde a infecção pelo HPV até o desenvolvimento do câncer podem se passar de 10 a 15 anos. Quando a doença se manifesta, a mulher pode apresentar corrimento mais aquoso e com mau cheiro. Sintomas como lombalgia [dor na lombar] persistente, emagrecimento sem causa aparente, anemia e sangramento vaginal anormal já indicam quadros mais avançados da doença e, consequentemente, com menores chances de cura”, explica a especialista.

 

Toda mulher com HPV terá câncer?

Segundo a médica, diversos tipos de HPV circulam na população brasileira, em grande parte devido à falta de proteção nas relações sexuais e à baixa cobertura vacinal nas idades recomendadas — entre 9 e 14 anos para meninos e meninas. Dentro dessa variedade, há tipos que podem ou não ser oncogênicos.

 

“Nem toda mulher com HPV desenvolverá câncer. Os tipos mais associados à doença são os oncogênicos 16 e 18. O risco está principalmente entre mulheres infectadas por esses tipos e que não realizam o tratamento das lesões precursoras no útero”, explica Iolanda.

 

Diagnóstico precoce ainda é possível

Apesar da ausência de sintomas no início, o câncer de colo do útero pode ser identificado precocemente por meio do exame preventivo, o Papanicolau, que também está disponível no SUS.

 

“A mulher já pode ser orientada a realizar o exame após o início da vida sexual. A partir dos 25 anos, a recomendação é que ele seja feito anualmente. Após os 30 anos, o exame se torna praticamente obrigatório para todas as mulheres sexualmente ativas, independentemente de serem portadoras de HPV”, orienta a ginecologista.

 

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e/ou imunoterapia.

 

“As chances de cura em estágios iniciais são próximas de 100%. Em fases mais avançadas, caem para cerca de 60% a 70%. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental, especialmente entre mulheres com fatores de risco”, destaca Iolanda Matias. “É um dos poucos cânceres que podem ser evitados e, ainda assim, continua fazendo vítimas por falta de prevenção”, finaliza.

 

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