Bastidores revelam que o console mais icônico da Sony não nasceu de um plano de negócios comum, mas sim de uma das maiores vinganças corporativas da história da tecnologia.
No dia 11 de maio de 1995, durante a primeira E3 da história, o então presidente da Sony Computer Entertainment subiu ao palco para um dos anúncios mais curtos e devastadores do setor. Ele pronunciou apenas três dígitos: "299". O preço, cem dólares abaixo do concorrente Sega Saturn, foi o golpe final de uma guerra que começou anos antes, nos escritórios de Quioto e Tóquio.
O Engenheiro e a Filha
Tudo começou no final dos anos 80 com Ken Kutaragi, um engenheiro da Sony que, ao observar sua filha jogar o "Nintendinho" (Famicom), ficou incomodado com a baixa qualidade sonora do aparelho. Agindo "por debaixo dos panos", ele desenvolveu um chip de som superior e o ofereceu à Nintendo. Quando a diretoria da Sony descobriu a colaboração externa, quase o demitiu, mas o executivo Norio Ohga percebeu o potencial do engenheiro e decidiu manter o projeto, oficializando a parceria para criar o chip SPC 700 do Super Nintendo.
A Traição em Público
A relação entre as gigantes parecia próspera. Em 1988, Sony e Nintendo fecharam um acordo para criar um leitor de CD para o Super Nintendo, projeto batizado de "Play Station".
No entanto, o clima azedou devido a termos contratuais: a Sony queria royalties sobre cada jogo vendido em CD, algo que a Nintendo, zelosa por sua soberania, não aceitou. A reviravolta ocorreu de forma humilhante para a Sony: um dia após a Sony anunciar o projeto na feira CES, a Nintendo subiu ao palco e declarou que seu parceiro para a tecnologia de CD seria, na verdade, a Philips.
De "Brinquedo" a Potência Mundial
Dentro da Sony, a elite corporativa inicialmente desprezava o mercado de videogames, tratando-os como "brinquedos de criança". Contudo, a humilhação pública sofrida pela Nintendo mudou o jogo. Movidos pelo desejo de revanche e pela insistência de Kutaragi, a Sony decidiu que não apenas faria o console, como destruiria a concorrência.
Enquanto a Nintendo enfrentava dificuldades com a Philips e decidia manter cartuchos no futuro Nintendo 64, a Sony atraía desenvolvedoras como a Square (de Final Fantasy VII) com as facilidades do CD:
- Custo de Produção: Um CD custava cerca de 1 dólar, enquanto um cartucho chegava a 5 dólares.
- Capacidade: 700 MB contra os limitados megabytes dos cartuchos.
- Logística: CDs podiam ser repostos no estoque em 10 dias, enquanto cartuchos levavam meses.
O Triunfo Final
O PlayStation chegou ao mercado japonês em 3 de dezembro de 1994 e rapidamente redefiniu o público de videogames. Deixou de ser um item apenas para crianças e passou a ser comercializado como um produto para jovens e adultos, com estética de "contracultura".
O resultado dessa "guerra de egos" é visto nos números:
- Sega Saturn: 9 milhões de unidades vendidas.
- Nintendo 64: 32 milhões de unidades vendidas.
- Sony PlayStation: Mais de 102 milhões de unidades vendidas.
O que começou como um acessório rejeitado tornou-se o pilar de uma das divisões mais lucrativas da Sony, provando que, no mundo dos negócios, subestimar um parceiro — ou um engenheiro visionário — pode custar a liderança de um mercado bilionário























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