Gênero musical ganha espaço em diferentes regiões do país e aparece ligado ao fluxo de clientes, identidade das casas e permanência do público no consumo fora do lar
O sertanejo se mantém como uma
das estratégias mais utilizadas por estabelecimentos do setor de alimentação
fora do lar para atrair público e reforçar o posicionamento dos negócios.
Presente tanto na programação musical quanto na ambientação dos espaços, o
gênero aparece cada vez mais associado à experiência oferecida ao cliente e às
formas encontradas pelo setor para sustentar resultados em um cenário de custos
elevados e consumo sensível a preço.
Esse movimento ocorre num
contexto de ajustes no mercado. Levantamento
da Abrasel divulgado em janeiro mostra que 57% dos estabelecimentos
registraram aumento no faturamento em dezembro na comparação com novembro,
enquanto 30% afirmaram não ter conseguido reajustar preços ao longo dos últimos
12 meses. O cenário reforça a busca por estratégias que ampliem fluxo, tempo de
permanência e consumo médio sem depender exclusivamente de repasse de custos.
Música como parte da
identidade das casas
Em Belo Horizonte, o Butiquim de
Lourdes incorporou o sertanejo como elemento central da proposta da casa. O
empresário Jonata Cordeiro explica que a decisão não foi operacional, mas
estratégica, ligada à percepção de que o público associa música, ambiente e
atendimento à qualidade da experiência. Para ele, a escolha do gênero ajuda a
traduzir essa proposta. “Apostamos na música sertaneja porque acreditamos que
sofisticação está na qualidade da experiência, não no estilo musical”, afirma.
Com o tempo, a decisão deixou de
ser apenas uma escolha de programação e passou a moldar o posicionamento do
negócio. Segundo o empresário, o sertanejo foi incorporado como parte
permanente da identidade da casa, alinhado ao perfil do público e à proposta do
espaço. Ele afirma que o impacto aparece diretamente nos resultados, ampliando
movimento e consumo e fortalecendo o reconhecimento da marca. Hoje, segundo
ele, o estabelecimento já é identificado como uma casa sertaneja, o que
consolida o posicionamento no mercado.
A
música acabou se tornando o principal atrativo do espaço. Jonata observa
que uma mudança de perfil exigiria investimento elevado e reposicionamento
demorado, o que torna a escolha ainda mais estratégica no médio prazo. Para
ele, o gênero deixou de ser apenas entretenimento e passou a funcionar como
diferencial competitivo dentro do negócio.
Quando o sertanejo apoia, mas
não lidera a estratégia
Em outras regiões, o gênero
também aparece como elemento relevante, ainda que não esteja ligado à música ao
vivo. Em Lucas do Rio Verde (MT), o Buteco da Costela mantém o sertanejo apenas
como trilha do ambiente, sem apresentações. O empresário Marcos Venício explica
que o estabelecimento opera com perfil de restaurante e churrascaria e, por
isso, não trabalha com shows, mas reconhece a influência do estilo no setor. “O
sertanejo promove movimento no restaurante e no bar, sem sombra de dúvida”,
afirma.
Segundo ele, o gênero se encaixa
especialmente no funcionamento noturno das casas e cria identificação com o
público. O empresário destaca que o sertanejo raiz costuma gerar resposta
imediata dos clientes, despertando lembranças e criando conexão emocional com o
ambiente. Ao tratar da música ao vivo, ele observa que o custo de artistas pode
se tornar um obstáculo em algumas regiões. “O grande problema são os covers
muito altos em vários lugares. Precisaria ter bom senso dos dois lados”, diz.
Mesmo assim, ele reconhece que a
música ajuda a atrair público, mas não sustenta o negócio sozinha. Segundo o
empresário, consumo depende diretamente da qualidade do cardápio. “Atrai muita
gente, mas esse público consome mais bebida. Se não tiver boa porção, petisco e
prato, só a música não mantém o bar”, explica. No caso do Buteco da Costela, a
estratégia segue centrada na comida, com foco no churrasco e em um ambiente
familiar, ainda que o sertanejo continue contribuindo para gerar movimento.
Recurso recorrente diante do
cenário do setor
Os relatos mostram que o
sertanejo pode assumir papéis distintos dentro dos estabelecimentos, desde
elemento central da proposta até parte complementar da ambientação. Em comum,
aparece a percepção de que o gênero ajuda a atrair público, ampliar permanência
e reforçar a identidade das casas.
Num cenário em que parte dos
negócios enfrenta dificuldade para reajustar preços e precisa buscar novas
formas de sustentar resultados, o sertanejo segue como ferramenta relevante.
Seja como programação principal ou como trilha do ambiente, o estilo continua
conectado ao consumo fora do lar e ao funcionamento cotidiano do setor no país.























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