O cinema nacional voltou a escrever um capítulo histórico no cenário internacional. O longa-metragem brasileiro “O Agente Secreto” (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, conquistou quatro indicações ao Oscar 2026, igualando o recorde de “Cidade de Deus”.
O thriller político, ambientado no Recife de 1977, concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Elenco, reconhecimento técnico pela seleção de elenco. A cerimônia da maior premiação do cinema mundial está marcada para o dia 15 de março de 2026.
Desde a estreia no Festival de Cannes, o filme vem acumulando destaque internacional. Na França, Wagner Moura levou o prêmio de Melhor Ator, impulsionando a trajetória do longa nos principais festivais do mundo. O reconhecimento também chegou ao César 2026, considerado o “Oscar francês”, onde “O Agente Secreto” recebeu indicações a melhor filme em língua não inglesa e melhor roteiro original.
Além do prestígio internacional, a produção carrega uma forte marca pernambucana. O filme traz participações simbólicas da radiodifusão local, com áudios históricos de duas emissoras tradicionais do Estado: Rádio Jornal AM 780 kHz e Rádio Clube AM 720 kHz.
Logo na cena de abertura, o público é apresentado ao personagem Marcelo, vivido por Wagner Moura, sentado em um fusca amarelo, sintonizando o rádio. É quando ecoa a vinheta clássica da Rádio Jornal: “Pernambuco falando para o mundo”, um som que atravessa gerações e ativa a memória afetiva dos pernambucanos.
Em outra sequência dentro do carro, o áudio que se ouve é do âncora e comentarista esportivo da CBN Recife, André Luiz Cabral, que também construiu carreira na quase extinta Rádio Clube de Pernambuco. A participação surgiu a convite do próprio diretor, que buscava recriar com fidelidade o ambiente sonoro da época. Sem arquivos disponíveis do período retratado no filme, André Luiz Cabral foi chamado para gravar o material, resgatando a atmosfera radiofônica que marcou o Recife dos anos 1970.
Com reconhecimento internacional, identidade regional forte e uma narrativa que revisita um período marcante da história brasileira, “O Agente Secreto” chega ao Oscar 2026 não apenas como um concorrente de peso, mas como um retrato potente da cultura, da memória e da força do cinema pernambucano no cenário mundial.






















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