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O Relicário da Humanidade: O Mistério e a Jornada da Bíblia Mais Antiga do Mundo Por Redação Nacional



Um tesouro de 11 quilos, protegido por uma singela capa de couro marrom, carrega em suas páginas de pergaminho mais de mil anos de história, fé e enigmas. O Codex Sassoon, reconhecido como a cópia mais completa e antiga da Bíblia Hebraica, consolidou-se como um dos manuscritos mais valiosos da face da Terra, unindo o sagrado ao fascinante mundo dos grandes leilões internacionais.

O Elo Perdido entre o Pergaminho e o Livro

Diferente dos famosos Manuscritos do Mar Morto, que se apresentam em fragmentos de rolos, o Codex Sassoon é um códice — o precursor do formato de livro que utilizamos hoje. Datado entre o final do século IX e o início do século X, ele representa o ápice do trabalho dos massoretas, estudiosos que dedicaram vidas para padronizar a pontuação, vocalização e as anotações marginais do texto sagrado.

Enquanto outros documentos célebres sofreram com a ação do tempo, o Sassoon impressiona pela integridade:

  • Codex de Aleppo (930 d.C.): Perdeu quase metade de suas páginas ao longo dos séculos.

  • Codex de Leningrado (1008 d.C.): Embora completo, é mais jovem que o Sassoon.

  • Codex Sassoon: Preserva todos os 24 livros da Bíblia Hebraica, com a ausência de apenas 12 folhas.

Uma Odisseia Através dos Séculos

A trajetória do manuscrito é digna de um roteiro de cinema. Inscrições manuais feitas entre os séculos XI e XIII revelam que o livro circulou por regiões que hoje compreendem Israel e a Síria.

"O valor histórico do códice não está apenas no texto sagrado, mas nas marcas deixadas por aqueles que o protegeram", afirmam especialistas.

No século XIII, o exemplar foi doado à sinagoga de Makisin, na Síria. Contudo, após a destruição do templo no século XIV, o livro desapareceu sob a guarda de um membro da comunidade que prometera devolvê-lo caso a sinagoga fosse reconstruída. O silêncio sobre seu paradeiro durou quase 600 anos.

Do Anonimato ao Recorde de US$ 38 Milhões

O manuscrito só retornou aos olhos do mundo em 1929, quando foi adquirido pelo colecionador David Solomon Sassoon, cujo sobrenome batizou a relíquia. Desde então, o livro passou por mãos de fundos de pensão e investidores privados, como Jacqui Safra.

O ápice de sua valorização ocorreu em maio de 2023. Em um leilão histórico na Sotheby’s, em Nova York, o Codex Sassoon foi arrematado por US$ 38,1 milhões (aproximadamente R$ 190 milhões na cotação da época). A venda o posicionou como o quarto manuscrito mais caro já negociado na história.

Fatos Rápidos: Codex SassoonDetalhes
IdadeMais de 1.000 anos
PesoCerca de 11 kg
Conteúdo24 livros da Bíblia Hebraica
Preço de VendaUS$ 38,1 milhões
Localização AtualMuseu do Povo Judeu (Tel Aviv)

Um Destino Público

Apesar do alto valor de mercado, o desfecho da jornada do Codex Sassoon foi filantrópico. O comprador, o diplomata americano Alfred H. Moses, doou a relíquia ao Museu do Povo Judeu (ANU), em Tel Aviv.

Hoje, o manuscrito não é apenas uma peça de museu, mas um testemunho vivo da transição da tradição oral para a escrita, servindo como base para as três grandes religiões abraâmicas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. O mistério de onde ele esteve durante os séculos de desaparecimento permanece, mas sua segurança como patrimônio da humanidade está, finalmente, garantida.

Imagem: ©Getty Images

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