Fabrício Gonçalves acumulou 111 mil minutos ouvindo o fundador do Clube da Esquina e transformou a música em rotina, decisão e memória; cantor completaria 74 anos neste sábado (10).
Quando o Spotify divulgou sua retrospectiva musical de 2025 — tradicional termômetro de hábitos sonoros que movimenta redes sociais e alimenta disputas silenciosas entre usuários — um dado chamou atenção fora do padrão. O maior ouvinte de Lô Borges no mundo não era um jovem nostálgico, um produtor musical ou um colecionador de vinis raros. Era um ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Segundo a plataforma, Fabrício Gonçalves liderou o ranking global de audições do artista mineiro ao longo do ano. Foram 111 mil minutos dedicados à obra de Lô Borges, fundador do Clube da Esquina, em um ano que tem cerca de 526 mil minutos. A devoção se traduz também em números simbólicos: 29 álbuns diferentes, os cinco artistas mais ouvidos ligados ao Clube da Esquina, além das cinco músicas mais tocadas compostas ou interpretadas por Lô.
O envolvimento vai além das faixas. O podcast mais ouvido por Fabrício também é dedicado ao movimento musical mineiro que redefiniu a MPB nos anos 1970. Já o álbum mais executado foi “Lô Borges” (1972), conhecido como o “disco do tênis” — referência à capa icônica com um par de tênis de cano alto branco com listras azuis, imagem que atravessou gerações e se tornou símbolo de uma época.
Para o ministro, no entanto, não há mistério nem algoritmo por trás do recorde. “Eu ouço Lô Borges todos os dias. Todos os dias”, afirma, com naturalidade, como quem descreve um gesto automático. A música acompanha sua rotina desde o despertar até o fim do expediente: toca enquanto ele se arruma para o trabalho, no trajeto até o gabinete, nas viagens entre Brasília e Belo Horizonte e até na sala de espera do próprio gabinete, onde advogados aguardam despacho ao som do Clube da Esquina.
Mais do que trilha sonora, a obra de Lô Borges funciona como um fio condutor entre memória, sensibilidade e reflexão — elementos que, segundo Fabrício, ajudam a organizar o pensamento e o tempo. A coincidência ganha contornos ainda mais simbólicos neste sábado (10), data em que Lô Borges completaria 74 anos, reafirmando a atualidade e a força de uma obra que segue atravessando gerações, cargos e fronteiras — inclusive as da mais alta corte trabalhista do país.






















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