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Entenda a letra de "O Bêbado e a Equilibrista"




Em 1964 um golpe militar derrubou o governo de então presidente João Gulart, estava instaurada a ditadura no Brasil que duraria 21 anos (até 1985). 
Foi um período de muita conflito interno no Brasil, algumas pessoas contra, outras a favor da opressão imposta pelos militares. E umas das canções brasileiras que contam com detalhes os sentimentos e os fatos ocorridos durante esse período foi composta em 1979 por Aldir Blanc e João bosco e gravada por Elis Regina Hoje nós vamos fazer uma desconstrução ao "O Bêbado e o Equilibrista" para saber o que ela nos conta.  Antes de continuar, a DiscotecaStore lançou a camiseta desse clássico "O Bêbado e a Equilibrista". Os leitores do Site Discoteca ganham desconto na compra. Basta acessar o link (clicando na imagem abaixo) e adquirir o seu. 



1. Caía a tarde feito um viaduto
2. E um bêbado trajando luto
3. Me lembrou Carlitos...



A frase numero 1 faz referência ao otimismo que o Brasil vivia antes do golpe, logo, ela faz alusão a dois viadutos que caíram durante suas construções, um no Rio de Janeiro (elevado Paulo de Frontin) em novembro de 71. Segundo números divulgados, foram mais de 40 pessoas entre mortos e feridos (Não da para saber se foi mais ou menos, pois a imprensa apoiava a ditadura e não divulgada fatos que deixassem o governo "mal visto"). Outro em Belo Horizonte em fevereiro do mesmo ano. foi um pavilhão que, projetado por Oscar Niemaier sob a ordem do governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro, também desabou sobre os operários, durante a hora de folga, no meio-dia. 

Naquela época, havia um conjunto de construções que correspondia ao “milagre econômico” cuja ditadura tentava apresentar à população brasileira, para recuperar as antigas euforias dos períodos populistas - o Brasil recém campeão da Copa de 70 e as mirabolantes obras daquele tempo puderam até certo ponto maquiar a face sofrida do Brasil.

Frase 2 e 3 faz referência a um dos personagens mais famosos de Charlie Chaplin: Carlitos. Um andarilho de chapéu-coco, bigode e um paletó muito apertado que, apesar de pobre, agia como um cavalheiro. Fica clara a contradição entre “bêbado” e “luto”: a alegria do vagabundo que tenta driblar a situação e o estado melancólico da sociedade brasileira.

Uma forma mais direta: "Nosso otimismo que o Brasil vai continuar melhorando caiu igual caíram os viadutos no RJ e em BH, Isso me lembra o personagem do Chaplin"


4. A luaTal qual a dona do bordel5. Pedia a cada estrela friaUm brilho de aluguel


O verso 4 e 5 retrata a lua em um sentido figurado. Lua não tem brilho próprio ela apenas reluz a luz do sol, então a mesma é comparada a dona de um bordel que explora alguns para fornecer prazer a outros e obter ganhos, pode representar os políticos que se “venderam” ao regime militar, em troca de benefícios pessoais, com os recursos “roubados” do país. Então temos: Lua = Dona do Bordel = Governo Militar / Estrela = Prostitutas exploradas = Povo explorado


O quarto e quinto verso traduzindo para uma forma mais direta: "Governo militar explorando o povo e recursos do país para ganhos pessoais"



6. E nuvens!Lá no mata-borrão do céu7. Chupavam manchas torturadasQue sufoco!8. Louco! 

Para os mais novos, mata-borrão era um papel que absorvia excessos de tinta das canetas-tinteiro para não haver erros. Esse também era o "apelido" dado ao DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna), que era um órgão de inteligência e repressão do governo durante o regime militar, destinado a combater inimigos internos que supostamente ameaçariam a segurança nacional. Mas na verdade era usado para torturar e até matar quem se manifestasse contra o regime. Os militares forjavam situações para incriminar quem fosse torturado ou morto. Isso é muito bem aludido nos versos 6 e 7. O verso 8 era um adjetivo direto aos militares.

Uma forma mais direta: "La no DOI-COI eles forjam cenas ou situações para não parecer tortura ou homicídio. Que sufoco esses loucos nos colocam"



9. Meu BrasilQue sonha com a volta do irmão do Henfil10. Com tanta gente que partiu num rabo de foguete11. Chora a nossa pátria mãe gentil,Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil


Nos versos 9 e 10 são referencias a dois irmãos. Henfil era o apelidado de Henrique de Souza Filho, um cartunista, quadrinista, jornalista e escritor que foi exilado, ele era irmão de Herbert de Souza, o Betinho, sociólogo e ativista de direitos humanos, também perseguido e exilado, como tantos outros brasileiros.

O verso 11 cita Clarice, que era esposa do jornalista Vladimir Herzog. Vladimir fazia parte do movimento de resistência contra o regime e teve um suicídio por enforcamento muito mal forjado em uma cela do DOI-CODI. Maria, por sua vez, era esposa do metalúrgico Manuel Fiel Filho, torturado até a morte sob a acusação de fazer parte do Partido Comunista Brasileiro, embora seu real crime tenha sido ler o jornal A Voz Operária. No plural, “Marias e Clarisses” são todas as mulheres, sejam mães, filhas ou esposas, que sofreram por alguém que fora torturado ou exilado. Além disso, destaca-se o tom de ironia ao rimar um refrão do Hino Nacional com Brasil, neste refrão, onde apresenta justamente um Estado que deveria nos proteger, mas que nos tortura.

Uma forma mais direta: "O Brasil sonha com o volta de todos os exilados e chora por todas as pessoas mortas por um estado que deveria nos proteger." 

12. Mas sei, que uma dorAssim pungente13. Não há de ser inutilmenteA esperança...


Nos versos 12 e 13 o compositor manda uma mensagem de esperança a todos que estão lutando desde o inicio do golpe.

Uma forma mais direta: "Nossas lutas e nossas dores valerão a pena. Existe uma esperança"

Dança na corda bambaDe sombrinhaE em cada passoDessa linhaPode se machucar...
Azar!A esperança equilibristaSabe que o showDe todo artistaTem que continuar...


Há uma história brasileira do início do século XX, baseada na vida de Zequinha de Abreu, compositor de Tico-Tico no Fubá, um músico que se apaixona pela trapezista de um circo e compõe uma valsa homônima à moça chamada Branca. Assim, ele rompe seu noivado para seguir a caravana circense, mas se decepciona e volta à terra natal, onde vive seu casamento deprimido e começa a tocar em bailes de carnaval seu grande sucesso (Tico-tico no Fubá). Eis que um dia a vê entrando no salão com o marido e interrompe o chorinho que dá nome ao filme e começa a tocar Branca. Tocada pela emoção de ouvir sua música ela vai a seu encontro, mas Zequinha abandona o piano e sai desesperado pelos fundos do clube e acaba morrendo em seus braços num ataque cardíaco fulminante.

Uma forma mais direta: "Vamos continuar lutando, sabendo que no final haverá morte, mas temos que fazer isso, não temos opção"


 Assista ao vídeo desta música





Fonte

Site Discoteca e Youtube

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