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Diagnóstico precoce do retinoblastoma pode salvar a vida e preservar o olho da criança


Tumor ocular é mais comum na primeira infância e, quando identificado nos estágios iniciais, apresenta melhores chances de cura e de preservação do olho

 

No retinoblastoma, o tempo pode fazer toda a diferença. Embora seja um tumor raro, ele é o mais comum da infância e costuma surgir principalmente nos primeiros anos de vida. Quando identificado precocemente, as

chances de cura são maiores e o tratamento pode, em muitos casos, preservar o olho da criança. Já quando o diagnóstico acontece em estágios avançados, a doença pode exigir tratamentos mais agressivos e até a retirada do olho para preservar a vida do paciente.

 

Em alusão ao Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma, celebrado em 18 de setembro, a oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), alerta para a importância do acompanhamento oftalmológico desde os primeiros meses de vida e da atenção dos pais aos sinais que podem indicar a doença.

 

“Por que é importante o diagnóstico precoce? Porque a maior parte dos retinoblastomas, quando diagnosticados precocemente, tem cura. Ao mesmo tempo, se você não faz o diagnóstico precoce e ele já é encontrado em um estágio avançado, às vezes a gente não consegue essa cura”, explica a médica.

 

O retinoblastoma se desenvolve na retina e, geralmente, acomete crianças de até 5 anos. Um dos principais sinais de alerta é a leucocoria, conhecida como “reflexo branco” ou “mancha branca” no olho. Ela pode ser percebida pelos pais, inclusive em fotografias, quando o reflexo,  que normalmente aparece avermelhado em um olho, surge esbranquiçado.

 

Outros sinais também podem estar presentes, como redução da visão em um dos olhos e estrabismo. Neste último caso, o desvio pode ocorrer porque a criança apresenta baixa visão provocada pelo tumor.

 

Diagnóstico antes dos sintomas pode fazer diferença

Um dos desafios do retinoblastoma é que o tumor pode estar presente sem provocar alterações externas perceptíveis. Por isso, esperar o aparecimento de sintomas pode atrasar a identificação da doença. Segundo Ana Carolina Collier, o exame oftalmológico de rotina pode detectar alterações ainda em uma fase inicial. A avaliação inclui a fundoscopia, que permite ao médico observar o fundo do olho e identificar possíveis alterações na retina. “Muitas vezes, no exame do fundo do olho, a gente pode diagnosticar um tumor muito precoce, que não tenha nenhuma alteração visual externa para a gente observar. Esse exame é realizado na consulta oftalmológica, por isso que a gente reforça a indicação de levar a criança para consulta logo após o nascimento e a cada seis meses até dois anos de idade”, afirma. Quando existe suspeita, a investigação pode prosseguir com exames complementares, como ultrassonografia ocular e tomografia, além da avaliação conjunta com a equipe de oncologia para definição da melhor estratégia terapêutica.

 

Quanto mais cedo, maiores as possibilidades de preservar o olho

O tratamento depende do estágio e das características do tumor. Entre as possibilidades estão quimioterapia, tratamento a laser, fotocoagulação, crioterapia e radioterapia. Nos casos mais avançados, entretanto, pode ser necessária a retirada do olho.

 

A enucleação, como é chamada a cirurgia para retirada do olho, pode ser indicada quando o tumor está em uma situação em que outras estratégias não são suficientes para controlar a doença. Nesses casos, a prioridade passa a ser impedir que o câncer avance e preservar a vida da criança.

 

Por isso, identificar o retinoblastoma antes que ele alcance estágios mais avançados pode representar não apenas uma maior possibilidade de cura, mas também uma oportunidade de preservar o olho e, quando possível, a visão. “O diagnóstico precoce tem um prognóstico muito melhor e, muitas vezes, a gente consegue preservar o olho da criança. Então, o que a gente recomenda é que os pais realmente façam os exames de rotina e fiquem atentos a esses sinais, como a mancha branca no olho, que pode ser um sinal de um tumor”, reforça Ana Carolina Collier. A recomendação é que os cuidados com a saúde ocular comecem ainda na infância, mesmo quando não há queixas. O acompanhamento permite identificar alterações que podem passar despercebidas pelos pais e aumenta a possibilidade de intervenção em uma fase em que as chances de controle da doença são maiores.

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