Com quase três décadas de história, o Lance! aposta na integração entre credibilidade, creators, inteligência artificial e novos modelos de negócio para acompanhar a evolução do consumo de informação esportiva.
Nunca se produziu nem se consumiu tanto conteúdo como atualmente. Para Gustavo Mota, CEO do Lance!, esse é um dos momentos mais desafiadores, e também mais promissores, para o jornalismo esportivo. Em entrevista ao podcast “De Dono pra Dono”, da Auddas, ele afirmou que, se antes os veículos concentravam a distribuição da informação, hoje disputam a atenção do público em um ambiente multiplataforma, instantâneo e altamente competitivo. “Acabou o monopólio da informação, mas aumentou o consumo. O jornalismo precisou entender que o comportamento das pessoas mudou”, pontua.
Na avaliação de Mota, a ascensão dos influenciadores digitais não representa uma ameaça ao jornalismo profissional, mas uma oportunidade de colaboração. Enquanto creators aproximam novos públicos e oferecem formatos mais informais, cabe aos veículos preservar a credibilidade, a apuração e a responsabilidade editorial. “Quando o público quer confirmar se uma informação realmente aconteceu, ainda procura um veículo sério. A autoridade continua sendo um diferencial do jornalismo”, destaca. Essa estratégia levou o Lance! a incorporar influenciadores à cobertura esportiva.
Aproximar a marca da aiudiência
Durante a Copa do Mundo de Clubes, por exemplo, o criador de conteúdo Toguro atuou como repórter da equipe, aproximando a marca de uma audiência mais jovem. “Conseguimos falar com um público que talvez nunca tivesse consumido o jornalismo do Lance!, sem abrir mão da qualidade da informação”, explica.
A mudança de comportamento do público também exigiu uma revisão profunda do modelo de negócios da empresa. O fim da edição impressa, durante a pandemia, marcou uma reestruturação que incluiu investimentos em assinaturas, aplicativo, conteúdo premium, projetos editoriais para marcas e novas unidades de negócio.
Hoje, o ecossistema do Lance! reúne cerca de 25 milhões de usuários mensais no portal e alcança aproximadamente 80 milhões de pessoas nas redes sociais. “Percebemos que não bastava simplesmente colocar o jornal na internet. Era preciso criar produtos pensados para a forma como as pessoas consomem conteúdo digital”.
Do impresso ao digital
Outro pilar dessa transformação é a inteligência artificial. A tecnologia já integra a rotina da redação, auxiliando na identificação de tendências, na organização de dados históricos e na elaboração de rascunhos que aceleram a produção das notícias. Ainda assim, Mota ressalta que a análise humana permanece indispensável. “A IA entrega velocidade, mas o contexto, a interpretação e a profundidade continuam sendo responsabilidade do jornalista”.
Ao comparar diferentes mercados, o executivo observa que o público brasileiro privilegia conteúdos rápidos e redes sociais, enquanto os europeus ainda dedicam mais tempo à leitura e os norte-americanos demonstram maior disposição para pagar por jornalismo especializado. “O conteúdo de qualidade tem valor. O desafio é construir uma cultura em que as pessoas reconheçam isso”, acentua.
Sobre o crescimento das casas de apostas como patrocinadoras do esporte, Mota considera que o segmento passou a integrar definitivamente o ecossistema esportivo, mas defende uma atuação responsável. “As apostas vieram para ficar. O importante é tratar o tema com responsabilidade, informação de qualidade e sem incentivar comportamentos irresponsáveis. É possível construir conteúdo sério sobre esse mercado”, conclui.
Transformação que vai além do Lance!
Rodrigo Chiavenato, diretor de Franquias da Auddas e apresentador do podcast, lembrou que o Lance! se consolidou como uma das principais referências do jornalismo esportivo brasileiro, ultrapassando 150 mil exemplares diários no início dos anos 2000. Segundo ele, a mudança dos hábitos de consumo, acelerada pela pandemia e pela expansão das plataformas digitais, redefiniu o setor. “Hoje existem inúmeras formas de consumir conteúdo esportivo. A Copa do Mundo mostra como essas plataformas ganharam força e como o comportamento do público mudou”, observa.
Para Chiavenato, o protagonismo dos influenciadores, a migração do consumo dos antigos tabloides para as redes sociais, os desafios da monetização digital, a chegada das casas de apostas e o avanço da inteligência artificial estão redesenhando o jornalismo esportivo. “A velocidade continua sendo importante, mas quem consegue explicar melhor os fatos acaba levando vantagem”, conclui.
O podcast pode ser escutado no Spotify ou pelo link:
























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