Em meio ao desafio de preservar patrimônio e garantir a continuidade dos negócios entre gerações, wealth planning ganha espaço entre empresas familiares.
Negócios que começaram pequenos, muitas vezes conduzidos por pais e filhos, hoje movimentam setores inteiros da economia regional. No entanto, quando chega o momento de transferir o comando ou o patrimônio para a próxima geração, muitas empresas enfrentam dificuldades por falta de planejamento.
Especialistas em gestão patrimonial e educação financeira destacam que a sucessão empresarial não deve começar apenas quando o fundador decide iniciar a transição do comando do negócio. O ideal é que esse processo seja estruturado com antecedência, como parte de um planejamento de longo prazo que envolva tanto o futuro da empresa quanto a organização do patrimônio familiar.
No Brasil, onde cerca de 90% das empresas têm perfil familiar, de acordo com dados do Sebrae, a transição entre gerações ainda representa um dos principais pontos de fragilidade dos negócios. A estatística é conhecida e desafiadora: apenas uma pequena parcela dessas empresas chega à terceira geração. Em um contexto marcado pela maior transferência intergeracional de patrimônio da história, o tema passou a exigir planejamento estruturado, preparo dos herdeiros e estratégias patrimoniais de longo prazo.
Em Pernambuco, a estimativa segue o padrão nacional: 9 em cada 10 empresas são de base familiar, de acordo com dados do Sebrae/PE, e enfrentam um desafio comum: a transição de comando e a preservação do patrimônio. Apesar da força, o calcanhar de Aquiles das empresas pernambucanas é a continuidade. Estudos sugerem que apenas cerca de 19% a 30% dessas empresas possuem um plano de sucessão estruturado e a maioria não sobrevive à passagem para a terceira geração, muitas vezes por falta de profissionalização da gestão ou conflitos de interesse entre herdeiros.
Educação financeira e visão de longo prazo
Um dos primeiros passos para uma sucessão com êxito é desenvolver uma cultura de educação financeira dentro da família empresária. Lucas Chamadoiro, Head do Segmento Unique da XP, explica que essa etapa envolve ampliar a transparência sobre o funcionamento do negócio, promover o planejamento patrimonial e estimular a compreensão das responsabilidades financeiras que acompanham a gestão e a continuidade do patrimônio.
“Quando os herdeiros têm conhecimento sobre gestão, investimentos e governança, a transição tende a ser mais tranquila”, avalia ele, para quem a sucessão deixa de ser apenas um momento de transferência de bens e passa a ser um processo de continuidade do legado empresarial.
Nesse contexto, Lucas diz que um dos instrumentos que vêm ganhando espaço é o Wealth Planning, serviço de planejamento patrimonial voltado à administração, preservação e crescimento dos recursos de uma pessoa ou família ao longo do tempo. O maior benefício desse tipo de planejamento é ajudar indivíduos e famílias a preservarem seus recursos e acelerarem o crescimento do patrimônio da melhor forma possível, sempre alinhando as decisões financeiras aos objetivos de longo prazo.
Na prática, o Wealth Planning considera tanto fatores presentes, como gestão de custos e organização dos investimentos, quanto aspectos futuros, entre eles o planejamento sucessório. Na área de investimentos, o serviço também tem papel importante na seleção de ativos mais adequados para cada objetivo familiar ou individual.
Enquanto a gestão patrimonial tradicional costuma focar no tempo presente, muitas vezes ligado ao ambiente empresarial, o Wealth Planning amplia essa visão e passa a contemplar o patrimônio de forma integrada, considerando o contexto familiar e o horizonte.
“Nesse processo, a figura do assessor de investimentos é fundamental. Ele deixa de ser um selecionador de ativos para se tornar o consultor que identifica os riscos sucessórios e conecta a família às soluções de proteção e perpetuidade do legado. O foco expandiu da rentabilidade imediata para a construção de estruturas sólidas que atravessam gerações”, comenta Larissa Falcão, sócia e líder da XP no Norte e Nordeste.
Herança não é o mesmo que sucessão planejada
É comum que muitas famílias confundam herança e sucessão, embora sejam conceitos diferentes na prática. A herança ocorre após o falecimento do titular do patrimônio e segue as regras previstas na legislação, muitas vezes exigindo inventário judicial ou extrajudicial. Esse processo pode ser demorado, gerar custos elevados e provocar disputas entre familiares.
Já a sucessão patrimonial acontece ainda em vida, com a organização prévia da transferência de bens, participação societária e responsabilidades na empresa. É nessa fase que muitos negócios contratam especialistas em investimentos para ajudar na organização do patrimônio financeiro da família e estruturar estratégias de longo prazo. Lucas Chamadoiro, Head do Segmento Unique da XP, lembra que nesse momento a ajuda especializada também é importante para avaliar a melhor forma de distribuir ativos, a fim de alinhar o planejamento sucessório com os objetivos da família e do negócio.
“No âmbito do Wealth Planning, esse trabalho também envolve a organização de todos os ativos financeiros e patrimoniais, como empresas, propriedades e investimentos, e o planejamento da transferência desses bens para os herdeiros ou beneficiários definidos pela família”, lembra.
O processo pode ainda envolver medidas como a criação de testamentos, definição de governança familiar, nomeação de representantes legais e outras estruturas que ajudam a dar mais clareza à sucessão. Entre os principais objetivos está reduzir a carga tributária associada à transmissão de bens e garantir que o patrimônio construído ao longo de décadas seja preservado e administrado de forma eficiente pelas próximas gerações.
No Brasil, um dos principais fatores que impulsionam esse tipo de planejamento é a incidência do Imposto de Transmissão por Causa Mortis e Doação (ITCMD), tributo obrigatório cobrado sobre a transferência de bens por herança ou doação. Em Pernambuco, o teto pode chegar a até 8%, mas a alíquota varia de acordo com o estado, e seu teto máximo alcança 8% do valor transmitido. “Pode parecer um percentual pequeno, mas quando falamos de patrimônios mais elevados, representa um custo significativo para a família, e muitas não estão preparadas para esse custo”, alerta Lucas.
A sucessão empresarial bem estruturada não se resume à transferência de bens ou do comando da empresa, mas à construção de um processo organizado que preserve o patrimônio e garanta a continuidade do negócio ao longo das gerações. Quando há planejamento, diálogo familiar e apoio de profissionais especializados, a transição tende a ocorrer de forma mais segura e eficiente, reduzindo riscos de conflitos, custos inesperados e impactos financeiros. Em um estado marcado por empresas familiares fortes, preparar a sucessão com antecedência é, cada vez mais, uma estratégia para proteger o legado construído e assegurar que ele continue gerando valor no futuro.
Sobre a XP
A XP é uma das principais instituições financeiras do Brasil. Criada em 2001, nasceu com o propósito de transformar o mercado para melhorar a vida das pessoas — promovendo educação financeira e democratizando o acesso a investimentos de qualidade. Desde então, o Grupo XP lidera uma disrupção no setor ao construir um ecossistema completo de serviços financeiros, com soluções que vão de investimentos a crédito, seguros e banking, no Brasil e no exterior. Com foco em planejamento financeiro completo para investidores, a companhia investe na excelência em servir o cliente como a principal alavanca de crescimento. Esse compromisso com a qualidade já se reflete em reconhecimentos importantes: a XP foi eleita sete vezes consecutivas a Melhor Assessoria de Investimentos de São Paulo pela premiação “O Melhor de São Paulo”, realizada pela Folha de S. Paulo. Saiba mais em www.xp.com.br























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