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Dia internacional de sair do armário (11): especialista em Sexologia explica origem histórica da data nos EUA e fala sobre polêmica da ‘obrigatoriedade’


Especialista em Sexologia e Sexualidade, Januário Mourão destaca que o processo de falar sobre orientação sexual ou identidade de gênero deve considerar segurança, acolhimento e as condições individuais. 

No próximo dia 11 de outubro, o Brasil e outros países celebram o “Dia Internacional de Sair do Armário”, data associada ao respeito à diversidade LGBTQIAPN+ e às diferentes experiências de quem compartilha sua orientação sexual ou identidade de gênero. O marco originário nos Estados Unidos, na Marcha pelos Direitos de Gays e Lésbicas, remete à importância do orgulho, mas também de respeitar a autonomia individual, sem transformar o ato em uma escolha obrigatória e igual para todos. 

Segundo Januário Mourão, especialista em Sexologia e Sexualidade à frente do projeto “Prazer! Te conhecer”, falar sobre orientação sexual ou identidade de gênero é uma experiência que não é “receitual”, ou seja, compartilhar do orgulho é um ato individual e diferente para cada pessoa, envolvendo histórias, vínculos e a maneira como ela compreende a sua própria identidade. 

“Quando falamos no ‘dia internacional de sair do armário’, que remonta, segundo a história, os Estados Unidos, mais precisamente Washington, em 88’, em referência à Marcha pelos Direitos de Gays e Lésbicas, precisamos entender que cada pessoa conhece a própria realidade, os vínculos que possui e as condições em que está inserida. Para algumas, falar sobre sua orientação sexual ou identidade pode representar liberdade e alívio – e a data vem para reforçar, celebrar essa decisão e nos lembrar de um marco histórico. Mas para outras, pode existir medo e diversas outras situações que tornam o processo mais delicado. No fim das contas, não existe uma regra que determine quando alguém deve falar. Existe o direito de decidir se, quando, como e com quem deseja compartilhar uma parte tão íntima da própria vida”, explica Januário.

O especialista chama atenção para a diferença entre visibilidade e exposição. Segundo o profissional, mesmo quando uma pessoa decide falar abertamente sobre sua sexualidade, isso não significa que precise compartilhar todos os aspectos de sua vida íntima. “A expressão ‘sair do armário’, uma tradução de ‘come out’, é amplamente utilizada para descrever o momento em que alguém revela publicamente sua orientação sexual ou identidade de gênero, embora algumas pessoas considerem o termo inadequado ou pejorativo. Independentemente da expressão utilizada, o processo deve respeitar os limites e o tempo de cada indivíduo”, comenta Januário. Da mesma forma, familiares, amigos e colegas devem evitar pressionar alguém a revelar uma informação que ainda não deseja ou não se sente preparado para compartilhar.

Nesse sentido, o acolhimento também está relacionado à capacidade de respeitar a autonomia da pessoa, inclusive quando ela não deseja compartilhar sua orientação sexual ou identidade de gênero. Pressionar, insistir ou tentar fazer com que alguém revele uma informação que prefere manter privada pode transformar uma experiência que deveria pertencer à própria pessoa em uma exposição imposta por terceiros. Segundo Januário, a data propõe um equilíbrio entre respeito e orgulho de quem deu um passo importante para “ser” e inspirar novas trajetórias. 

“A orientação sexual e a identidade de gênero fazem parte da história de cada pessoa, mas cada uma tem o direito de decidir como quer viver e compartilhar essa dimensão da própria vida. E, quando alguém decide falar, a resposta de quem recebe essa informação também é importante. Escutar sem transformar a conversa em julgamento, piada ou interrogatório é uma forma de acolhimento. Assim, o pride, o orgulho, pode inspirar novas experiências e trajetórias com respeito e acolhimento necessário”, conclui.

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