Artista apresenta dois espetáculos em quatro cidades, realiza workshop sobre circulação
nas artes performativas e participa do XII Colóquio Internacional Cênico da Bahia
Recife, Limoeiro, Surubim e Salvador recebem, entre 1º e 9 de setembro, apresentações dos espetáculos Fissura e Figueiredo, além de atividade formativa e participação em mesa internacional sobre documentação e criação Em setembro, o artista e performer Pedro Vilela retorna ao Brasil para uma circulação que reúne dois de seus trabalhos — Fissura e Figueiredo — em uma programação que atravessa Recife, Limoeiro, Surubim e Salvador.
Entre os dias 1º e 9 de setembro, a agenda articula apresentações, formação e intercâmbio, aproximando diferentes públicos das pesquisas desenvolvidas pelo artista em torno de temas como memória, violência política, autoritarismo, documentação, apagamento histórico e construção de narrativas. A circulação conta com financiamento da DGARTES — Direção-Geral das Artes, através do Programa de Apoio a Projetos – Internacionalização, destinado ao desenvolvimento e à circulação
internacional de obras e projetos.
O projeto conta também com apoio da Fundação GDA, através de seu programa de internacionalização, que integra as ações da instituição voltadas à projeção internacional de artistas e criações portuguesas. Os dois apoios são programas distintos, que convergem neste projeto para fortalecer a circulação e o intercâmbio internacional da produção artística de Pedro Vilela.
Fissura abre a circulação em Recife
A programação começa em Recife, nos dias 1º e 2 de setembro, com duas apresentações de Fissura, às 19h30, no Teatro Hermilo Borba Filho. As sessões acontecem no formato “pague quanto puder”, ampliando as possibilidades de acesso do público ao espetáculo. Criado por Pedro Vilela e Alexandre Dal Farra, Fissura parte do encontro de um imigrante com uma manifestação de extrema-direita na Europa desperta memórias sobre os acontecimentos que o levaram a deixar seu país (desde o assassinato de uma militante à eleição de um presidente) e reflexões sobre sua permanência em território estrangeiro.
A obra utiliza o acontecimento como ponto de partida para uma investigação sobre violência, poder, discurso político e as fissuras de uma sociedade atravessada pelo avanço de forças autoritárias. Mais do que reconstruir um episódio, Fissura procura olhar para aquilo que permanece depois dele: as disputas em torno da memória, as narrativas construídas sobre a violência e as estruturas políticas e sociais que permitem que determinados acontecimentos sejam esquecidos,bdistorcidos ou naturalizados. A obra apresentada em Portugal, México, Angola e Moçambique, finalmente chega ao Brasil com estas apresentações.
Limoeiro recebe três sessões gratuitas
No dia 3 de setembro, Fissura chega a Limoeiro, com três sessões no Galpão das Artes, às 10h, 15h30 e 19h30. As apresentações serão gratuitas (mediante entrega de 3kg de alimentos não perecíveis) , levando o espetáculo a diferentes públicos e ampliando a dimensão territorial da circulação.A passagem por Limoeiro integra a proposta de fazer com que a circulação não fique restrita aos grandes centros, criando possibilidades de encontro entre a produção contemporânea e públicos de diferentes contextos.
Surubim reúne espetáculo e formação
No dia 4 de setembro, a programação segue para Surubim, onde Pedro Vilela realiza, das 14h às 17h, o
workshop: Onde a Cena Fissura — Estratégias de Circulação nas Artes Performativas A atividade propõe uma reflexão sobre os caminhos de circulação de trabalhos artísticos e sobre estratégias de produção, difusão e inserção das artes performativas em diferentes contextos. A experiência de circulação do próprio artista serve como ponto de partida para uma conversa sobre os desafios e possibilidades encontrados por artistas e projetos que desejam ampliar sua atuação para além de seus territórios de origem. Às 20h, Pedro Vilela apresenta Fissura no Reduto Coletivo, também no formato “pague quanto puder”. Dessa maneira, Surubim concentra duas dimensões fundamentais do projeto: a apresentação artística e o compartilhamento de conhecimento, transformando a circulação em espaço de encontro e formação.
Salvador recebe Figueiredo e Fissura
Depois de Pernambuco, Pedro Vilela segue para Salvador, onde participa da programação do Festival Gestos de América. Nos dias 5 e 6 de setembro, o artista apresenta Figueiredo no Centro Cultural Barroquinha, com sessões às 19h e 15h, respectivamente. Figueiredo é uma palestra-performativa que parte de um documento que permaneceu oculto durante mais de quatro décadas. A partir desse arquivo, a obra estabelece relações entre história e memória, investigando uma política de destruição que atravessa a história brasileira desde 1500 e que tem como uma de suas expressões mais violentas o genocídio dos povos indígenas. O documento deixa de ser apenas um registro do passado e passa a funcionar como matéria para a cena. A performance investiga aquilo que é preservado, aquilo que desaparece e os mecanismos através dos quais determinadas versões da história são construídas e transmitidas. Em Figueiredo, memória e arquivo tornam-se ferramentas para olhar para o presente e questionar as formas pelas quais a violência histórica continua reverberando na sociedade brasileira. A obra já foi apresentada em Portugal, Espanha, México, Alemanha, Chile e Uruguai e finalmente retorna ao Brasil. A passagem por Salvador ganha ainda uma dimensão especial com a participação de XII Colóquio Internacional Cênico da Bahia, integrando a mesa “Origem, documentação e criação” ao lado de Mariela Brito (Cuba) e Junior Romanini (Brasil). O encontro acontece na Sala de Conferências da Fundação Gregório de Mattos, em Salvador.
A participação no Colóquio amplia a circulação para além das apresentações dos espetáculos e coloca Pedro Vilela em diálogo direto com outros artistas e pesquisadores sobre processos de criação, documentação e investigação artística. A escolha do tema da mesa estabelece ainda uma conexão particularmente forte com os trabalhos apresentados que possuem o arquivo e o documento como elementos centrais de sua construção cênica. Ao lado de artistas do Brasil e de Cuba, Pedro Vilela participa de uma conversa que amplia a perspectiva sobre como documentos, arquivos e materiais históricos podem se transformar em matéria de criação, e sobre as relações entre origem, memória e construção artística. A participação reforça o caráter de intercâmbio internacional da circulação, colocando em diálogo diferentes experiências latino-americanas de criação e pesquisa nas artes da cena.
Fissura encerra a circulação em Salvador nos dias 8 e 9 de setembro, retornando ao Centro Cultural Barroquinha. As sessões acontecem às 19h e 15h, respectivamente. Com isso, Salvador recebe os dois trabalhos que integram a circulação: Figueiredo, centrado nas relações entre documento, memória e história, e Fissura, que investiga violência política, autoritarismo e as estruturas sociais relacionadas à ascensão da extrema direita.
Serviço Pernambuco
Recife
1º e 2 de setembro
19h30 — Fissura, Teatro
Hermilo Borba Filho - Entrada: Pague quanto puder
Limoeiro
3 de setembro
10h, 15h30 e 19h30 — Fissura, Galpão
das Artes - Entrada: Gratuita
Surubim
4 de setembro
14h às 17h — Workshop: Onde a
Cena Fissura — Estratégias de Circulação nas Artes Performativas
20h — Fissura, Reduto
Coletivo - Entrada: Pague quanto puder
Bahia Festival Gestos de América
Salvador
5 e 6 de setembro, 19h
e 15h (respectivamente)
Figueiredo, Centro
Cultural Barroquinha - Bilhetes em www.gestosdeamerica.com/
XII Colóquio Internacional cênico da Bahia
Mesa: “Origem, documentação e criação”
Pedro Vilela (Brasil/Portugal), Mariela
Brito (Cuba) e Junior Romanini (Brasil)
Local: Sala de Conferências da
Fundação Gregório de Mattos, Salvador — BA
Salvador
8 e 9 de setembro, 19h e 15h (respectivamente)
Fissura, Centro Cultural
Barroquinha – Bilhetes em www.gestosdeamerica.com/
Apoios à internacionalização
DGARTES — Direção-Geral das Artes
Programa de Apoio a Projetos – Internacionalização
Fundação GDA
Programa de Internacionalização
Sobre Pedro Viela
Pedro Vilela é artista, performer e encenador pernambucano. Reside no Porto, em Portugal, desde 2019, onde dá continuidade às suas criações e colabora com importantes estruturas da cena portuguesa. Sua trajetória reúne criação, pesquisa, crítica e articulação internacional, com trabalhos que transitam por diferentes formatos e linguagens das artes da cena. Site oficial de Pedro Vilela
























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