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Maus hábitos do dia a dia podem comprometer a saúde dos olhos; especialista orienta como prevenir problemas de visão

 

Coçar os olhos e excesso de telas estão entre os principais vilões da saúde ocular

 

Diariamente, nossos olhos estão expostos a diversos fatores de risco. Horas em frente às telas, pouca qualidade do sono, exposição ao sol sem proteção e até o hábito de dormir com maquiagem podem favorecer o surgimento de doenças oculares ou agravar problemas já existentes.

 

O dia 10 de julho marca o Dia da Saúde Ocular, data que busca alertar que, embora nem todas as doenças possam ser prevenidas, adotar hábitos saudáveis e realizar consultas periódicas com o oftalmologista são medidas fundamentais para preservar a visão.

 

Segundo a oftalmologista Marília Medeiros, do Instituto de Olhos Recife (IOR), alguns comportamentos aparentemente inofensivos podem causar prejuízos importantes à saúde ocular. "Coçar os olhos, passar muito tempo em frente às telas sem fazer pausas, não usar óculos de sol, dormir com maquiagem, dormir poucas horas por noite e deixar de usar óculos de proteção durante determinadas atividades são hábitos que podem comprometer a saúde dos olhos", alerta a especialista.

 

A médica explica que a exposição prolongada às telas reduz a frequência do piscar, favorecendo o ressecamento ocular, enquanto o ato de esfregar os olhos pode provocar lesões na córnea e contribuir para o desenvolvimento de doenças como o ceratocone.

 

Algumas doenças podem ser corrigidas; outras exigem acompanhamento

Entre os problemas oculares mais frequentes estão as ametropias, também conhecidas como erros de refração, que incluem miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. "As ametropias podem ser corrigidas com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa, dependendo da indicação para cada paciente", explica Marília.

Ainda segundo a especialista, outras doenças estão mais relacionadas ao processo natural de envelhecimento. "A catarata, por exemplo, não tem prevenção. Ela acontece principalmente com o avanço da idade, surgindo, em média, a partir dos 60 anos", explica a oftalmologista.

 

O glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), também exige atenção especial. "O glaucoma não possui prevenção específica. O mais importante é conhecer o histórico familiar, identificar fatores de risco e manter o acompanhamento oftalmológico regular para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível", orienta.

 

Higiene pessoal tem papel importante na saúde dos olhos

Algumas doenças, no entanto, podem ser evitadas com medidas simples de higiene. Segundo a oftalmologista, a conjuntivite continua sendo uma das infecções oculares mais comuns, principalmente durante períodos de surtos virais. "Lavar as mãos frequentemente e evitar compartilhar toalhas, maquiagem e outros objetos de uso pessoal são medidas importantes para reduzir o risco de conjuntivite, principalmente nas épocas em que há maior circulação de vírus", afirma Marília Medeiros.

 

O papel do uso excessivo de telas na saúde ocular

Outro problema que vem crescendo nos consultórios é a síndrome do olho seco. A condição ocorre quando há redução na produção ou alteração da qualidade da lágrima, provocando ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e visão embaçada.

 

"A exposição prolongada às telas é um dos principais fatores associados ao olho seco atualmente. Além disso, mulheres e idosos apresentam maior predisposição para desenvolver esse problema", explica. Para quem faz uso excessivo de telas, a recomendação para prevenir a síndrome do olho seco, bem como o cansaço visual é colocar em prática a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, a pessoa deve fazer uma pausa de 20 segundos e olhar para um objeto localizado a cerca de 6 metros de distância (20 pés). Esse hábito ajuda a relaxar os olhos, reduzir a fadiga ocular e minimizar o ressecamento causado pela diminuição da frequência do piscar.

 

Alimentação e consultas regulares podem transformar a saúde da visão

Além dos cuidados externos, a alimentação desempenha papel importante na proteção dos olhos. A especialista recomenda incluir no cardápio alimentos ricos em ômega-3 e nas vitaminas A, C e E.

 

"Além dessas vitaminas e do ômega-3, antioxidantes como luteína, zeaxantina e zinco ajudam a proteger a retina e outras estruturas oculares contra os danos causados pelo envelhecimento e pelos radicais livres", afirma Marília.

 

A especialista salienta que, mesmo quando a visão parece ‘normal’, o acompanhamento com o oftalmologista é indispensável, já que algumas doenças evoluem de forma silenciosa, como o glaucoma e as retinopatias diabética e hipertensiva, entre outras.

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