Falta de percepção sobre o impacto das dívidas e dos juros sobre as contas familiares expõe pouco conhecimento para lidar com as finanças, segundo especialistas da Dinx
Lidar com o endividamento familiar com uma taxa de juros na casa dos 33% ao ano, segundo patamar registrado em fevereiro pelo Banco Central, representa um forte desafio, acentuado pela falta de conhecimento das famílias brasileiras sobre educação financeira.
A percepção das famílias sobre a sua situação de endividamento – com muitas pessoas não se considerando endividadas quando não há atraso no pagamento de dívidas, segundo apontou o presidente do BC, Gabriel Galípolo – amplia os riscos de desequilíbrio no orçamento doméstico, segundo alertam os especialistas da Dinx – ecossistema gamificado de educação financeira para crianças.
Pesquisa realizada pela Dinx mostrou alguns pontos sensíveis na gestão do orçamento doméstico devido à falta de conhecimento das famílias sobre finanças. Um deles é o fato de não entenderem o que são juros compostos, apontado por 21% dos entrevistados, o que se agrava no cenário em que o uso do crédito rotativo do cartão de crédito é visto como renda disponível, embora os juros dessa modalidade, segundo o BC, já tenham chegado a 15% ao mês, com um índice de inadimplência de 60% em fevereiro.
“Os juros compostos incidem sobre dívidas que não são pagas integralmente, quando há saldo devedor rolando mês a mês, caso da situação em que a pessoa paga apenas o mínimo da fatura do cartão de crédito”, explica Lúcia Stradiotti, head de Educação e Metodologia da Dinx. “Com isto, pequenas dívidas podem se tornar grandes, rapidamente, levando ao efeito bola de neve no endividamento.”
Este cenário se agrava por falta de conhecimento sobre como gerenciar os gastos versus a renda. Segundo a pesquisa da Dinx, apenas 9% das famílias entrevistadas consideram que gastar menos do que ganham é uma boa conduta financeira; somente 24% acham que organizar as contas é uma habilidade necessária e apenas 9% delas acham importante fazer planilhas de ganhos e despesas. “Qualquer família que tenha mais de 30% da sua renda comprometida com dívidas precisar ligar o sinal de alerta”, adverte Lucia.
Além disso, 39% das famílias relataram não saber como investir o seu dinheiro; 33% disseram não ter reserva de emergência e 24% têm sentimentos negativos em relação à sua vida financeira. Apesar disso, os entrevistados atribuíram a nota média 8 aos seus conhecimentos na área financeira.
“Há uma discrepância entre a nota que eles atribuíram ao seu conhecimento sobre educação financeira e a capacidade de aplicá-la, na prática, junto aos filhos”, destaca Gabriel Araujo, CEO da Dinx, ao citar que apenas 6 em cada 10 entrevistados afirmaram ter “muito ainda que aprender”.
Ele observa que “a maioria dos pais acha que educação financeira é ensinar a calcular juros. Não é. É ensinar a escolher, a esperar, e a lidar com o não. Só que quase ninguém aprendeu isso na própria infância, então, muitas vezes, não sabemos como ensinar”.
As pessoas que chegam em um alto nível de endividamento do cartão, segundo a head de Educação e Metodologia da Dinx, não percebem que a situação chegou a um ponto crítico, e isso requer mais do que entender de juros, mas exige uma mudança de comportamento.
“Muitas pessoas que se endividam no cartão de crédito fazem isso por não conseguirem lidar com a frustração de não ter algo e ter que esperar o momento certo para comprar”, observa Lúcia Stradiotti. Por isso, é importante entender que educação financeira não é sobre dinheiro, mas sobre comportamento. “Se isso não estiver claro para os pais, dificilmente os filhos serão capazes de aprender a lidar com a frustração decorrente, por exemplo, de um desejo não atendido”, completa.
Sobre a Dinx
A Dinx é uma EdTech brasileira de educação financeira infantil, cuja missão é formar uma geração mais consciente na relação com escolhas, tempo e dinheiro.
Por meio de um ecossistema gamificado, a plataforma transforma situações do dia a dia em experiências de aprendizado para crianças, com ferramentas de gestão e monitoramento para pais e responsáveis.
A empresa é fruto de uma sociedade entre o grupo Take4Content — com envolvimento da Luccas Toon, franquia do influenciador Luccas Neto, com mais de 50 milhões de seguidores —, e a Transfero Ventures, contando com a infraestrutura bancária de um banco com mais de 50 anos de mercado regulado pelo Banco Central.























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