Com o retorno do ano letivo, pais e educadores devem ficar atentos a sinais e comportamentos que podem indicar dificuldade para enxergar, entre eles, o baixo desempenho escolar
Você sabia que 20% das crianças em idade escolar apresentam problemas de visão? O dado é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e com o retorno do ano letivo, serve de alerta para que pais e educadores fiquem atentos ao desempenho escolar das crianças. Muitas vezes, o aluno considerado desatento, agitado ou com dificuldade de aprendizagem está, na verdade, sem conseguir enxergar direito para acompanhar as aulas.
Levantamento do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE) mostra que, nos últimos dois anos, cerca de 60% das crianças atendidas apresentaram erros de refração, principalmente miopia. De acordo com a Dra. Eveline Barros, oftalmologista do hospital, "embora possa se desenvolver em qualquer idade, a miopia surge com maior frequência entre os 6 e 12 anos de idade. No período escolar, o aumento das atividades que exigem a visão de perto contribui para que a condição seja percebida".
A médica diz quais são os erros refrativos mais comuns na infância:
Astigmatismo – as estruturas da córnea e do cristalino apresentam um formato mais oval e irregular que dispersa a luz em vários pontos, em vez de um único ponto focal, deixando a visão embaçada ou distorcida para perto e para longe. A condição pode estar presente a partir do nascimento ou se desenvolver após lesões oculares, doenças ou cirurgias.
Hipermetropia – caracterizada pelo globo ocular mais curto, que faz com que ao invés de a imagem se formar sobre a retina, ela se forme atrás dela, dificultando a visão de objetos próximos. Na maioria dos casos, a origem é genética.
Miopia – o olho muito longo ou a córnea muito curva fazem com que a luz foque antes da retina, causando visão embaçada para objetos distantes. A condição tem fortes fatores genéticos, mas também está relacionada a fatores ambientais como excesso do uso de telas e pouca exposição à luz solar.
"A criança geralmente não percebe a dificuldade visual, pois como nunca enxergou de outra forma, considera normal ter a visão embaçada ou limitada. Por esse motivo, é essencial que pais e educadores fiquem atentos a qualquer queixa ou comportamento suspeito. Apertar os olhos para enxergar; se aproximar muito dos objetos; coçar os olhos em excesso; reclamar de dores de cabeça; apresentar olhos lacrimejantes, vermelhos ou com desvios; ter baixo desempenho escolar; desinteresse por atividades e isolamento social são alguns dos sinais de alerta", afirma a Dra. Eveline Barros.
Hoje, assim que a criança nasce, é realizado o Teste do Reflexo Vermelho, também conhecido como Teste do Olhinho, considerado essencial para detectar doenças oculares congênitas precocemente. A SBO orienta que entre os 6 e 12 meses de vida seja realizada a primeira consulta oftalmológica completa, para avaliação do alinhamento ocular, do grau e do fundo do olho. É crucial que esse acompanhamento com o oftalmologista seja realizado ao menos uma vez por ano, até a criança ter sete anos, idade em que o sistema visual se completa.






















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