Um artigo de opinião publicado na seção Tribuna Livre do jornal A Tribuna provocou debate nas redes sociais ao colocar em xeque uma expressão viralizada na internet: “a bicicleta é a morte lenta do planeta”. A frase, usada de forma irônica e crítica, reapareceu na coluna como ponto de partida para discutir modelos de desenvolvimento, economia e sustentabilidade urbana.
Uma frase que virou provocação
Na origem do debate está uma expressão provocativa que circula há anos em postagens e blogs: “o ciclista é um desastre para a economia do país”, porque não compra carros, não paga seguro, não consome combustíveis nem utiliza rodovias pagas e, portanto, “não acrescenta nada ao PIB”. Essa narrativa satírica sugere que alguém que pedala — por ser saudável, consumir menos e contribuir menos para setores tradicionais de consumo — seria, ironicamente, um agente de “morte” para uma economia baseada em crescimento e consumo intensivo.
Segundo o texto que circula em múltiplos sites, “pessoas saudáveis não são necessárias nem úteis para a economia”, pois não geram receitas para certos setores como seguros, concessionárias ou grandes redes de serviços. Esse tipo de raciocínio opõe diretamente lógica de consumo e lógica de bem-estar social.
Debate atual: sustentabilidade x modelo de consumo
O artigo na Tribuna usa esse mote para questionar como a sociedade mede riqueza e progresso. Em tempos de crise climática, cidades enfrentam pressões por reduzir emissões de carbono e repensar o transporte urbano — justamente áreas nas quais a bicicleta se destaca positivamente. Ciclistas e defensores da mobilidade sustentável veem na bicicleta um instrumento de redução de poluição, melhora da saúde pública, diminuição de congestionamentos e promoção de uma circulação mais humana nas cidades.
Por outro lado, a provocação não ignora que a bicicleta, isoladamente, não pode resolver todos os desafios urbanos — especialmente em países com infraestrutura voltada quase que exclusivamente ao automóvel e com déficits em transporte público. Mas ela chama atenção para uma contradição: um meio de transporte que reduz impactos ambientais e fortalece qualidade de vida pode, em uma métrica que prioriza PIB e consumo, parecer “inútil”.
Economia sustentável ou economia do consumo?
Especialistas em mobilidade e sustentabilidade criticam a ideia de que a bicicleta seja “ruim” para o planeta ou para a economia. Pelo contrário, apontam que ela contribui para:
- Redução de emissões de gases poluentes nas áreas urbanas;
- Menores demandas por infraestrutura pesada (como rodovias e grandes estacionamentos);
- Custos de saúde pública mais baixos, pois promove hábitos saudáveis;
- Desenvolvimento de nichos econômicos — desde oficinas, fabricação de bicicletas, cicloturismo e comércio local ligado ao modal.
Esse debate, levanto pela Tribuna Livre, estimula leitores a questionar métricas econômicas tradicionais que valorizam crescimento do consumo acima de indicadores de bem-estar, eficiência e sustentabilidade.
O impacto na discussão pública
Ao trazer a frase tão difundida — e muitas vezes usada de maneira simplista nas redes — o artigo cumpre o papel típico de um espaço de opinião: desafiar leitores a pensar criticamente sobre temas que envolvem sociedade, meio ambiente e modelos de desenvolvimento. Essa provocação se encaixa em uma discussão mais ampla que transcende o debate sobre bicicletas e toca diretamente questões sobre como medimos progresso e qualidade de vida no século XXI.






















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