Saiba como avaliar profissões nas quais o ensino superior continua indispensável e como se preparar para um mercado de trabalho cada vez mais atento às hard e soft skills.
Com formações cada vez mais acessíveis e a valorização das competências práticas, a necessidade de diploma universitário gera dúvidas para muitos jovens. Apesar disso, ele permanece como porta de entrada para muitas carreiras, incluindo papel importante na mobilidade social e oportunidades de trabalho.
No Brasil, dados do IBGE mostram que o percentual da população com 25 anos ou mais com ensino superior passou de 6,8% em 2000 para 18,4% em 2022.
Apesar do aumento do acesso ao ensino superior, objetivos profissionais individuais devem ser considerados na definição da trajetória acadêmica. Entenda aspectos centrais do tema a seguir.
A era do diploma: legado e desafios
O ensino superior tradicional, como os bacharelados, licenciaturas, e cursos de longa duração, foi historicamente visto como a via de ascensão, tanto pessoal quanto profissional.
No Brasil, a expansão da oferta de vagas, as dinâmicas de ingresso mais inclusivas e o crescimento da educação a distância (EAD), ampliou o acesso nas últimas décadas.
No entanto, essa expansão vem acompanhada de desafios. A diferença entre regiões, grupos sociais e raças ainda é significativa: embora o acesso esteja crescendo, parcela expressiva da população adulta permanece sem nível superior.
Além disso, o mercado de trabalho e as exigências da economia mudaram, com crescente valorização das competências técnicas e socioemocionais que, por vezes, pesam tanto quanto ter o diploma.
Outro desafio é a heterogeneidade: nem todo diploma universitário entrega resultados iguais. A área de formação, a instituição, a qualidade do curso e o perfil do estudante influenciam diretamente o retorno em termos de carreira.
Por que o ensino superior ainda pesa no currículo?
Apesar de questionamentos e transformações no mercado, há múltiplos fatores que asseguram o valor do diploma universitário.
Estudos recentes confirmam que, no Brasil, a graduação continua a fazer diferença no salário e na empregabilidade. Um relatório de 2025 revela que brasileiros com diploma universitário recebem, em média, 148% a mais do que aqueles com apenas o ensino médio.
Além disso, um levantamento recente com egressos de faculdades privadas indicou que, até 15 meses após a formatura, 85% estavam inseridos no mercado de trabalho, e a renda média saltava de cerca de R$ 2.783 (pré-formatura) para R$ 5.045, o que representa um aumento de 81%.
Esses dados corroboram que o diploma segue sendo uma ponte real para ascensão profissional e a universidade ainda representa oportunidade concreta de melhorar renda e condição de vida.
Em momentos de instabilidade econômica, a educação superior também costuma dar uma vantagem, funcionando como um diferencial competitivo quando o mercado se torna mais seletivo.
Empresas, skills e o declínio do “diploma como porta de entrada”
Embora o diploma continue pesando em aspectos importantes da trajetória profissional, há transformações profundas nas dinâmicas de trabalho, contratação e competências valorizadas.
Atualmente, os jovens têm acesso a novas formas de aprendizagem, como cursos técnicos, profissionalizantes e micro credenciais que tendem a priorizar o desenvolvimento de habilidades práticas e adaptativas.
A saturação do mercado e o dilema da sobre-educação
Um dos fenômenos mais discutidos nos últimos anos é a chamada “sobre-educação”: pessoas com formação superior ocupando cargos que não exigem esse nível de escolaridade.
No Brasil, a proporção de trabalhadores nessa situação subiu de 26% em 2012 para 38% em 2020.
Esse descompasso entre escolaridade e função acarreta problemas como a subutilização de capital humano, salários menores do que o potencial de formação, insatisfação e baixa produtividade.
Além disso, o crescimento do número de formados não foi acompanhado de modo uniforme pela demanda em todas as áreas, o que significa que, para muitas graduações, a competição por vagas é acirrada, e ter o diploma não garante emprego de qualidade nem remuneração compatível. Esse cenário contribui para a percepção de que “diploma não basta mais”.
Quando o diploma universitário permanece indispensável
Apesar dos desafios, há contextos e áreas em que a universidade continua sendo indispensável, seja pela natureza da profissão como pela valorização do conhecimento aprofundado.
Profissões regulamentadas e áreas técnicas críticas
Muitas carreiras no Brasil exigem diploma superior e, muitas vezes, também registro profissional ou habilitação regulamentada. São exemplos: Medicina, Engenharia, Direito, Psicologia, Arquitetura, entre outras.
Nesses casos, não há como substituir a formação universitária por micro cursos ou autoaprendizagem.
Além disso, áreas críticas, como saúde, infraestrutura e tecnologia de ponta, exigem base teórica e prática aprofundada, laboratórios, certificações e, muitas vezes, pós-graduação.
Alta qualificação, estabilidade e valorização no mercado
Mesmo fora das profissões regulamentadas, quem investe em uma boa graduação, considerando instituição, área com demanda e qualidade da formação, tende a obter retorno, como melhores salários, maior chance de ascensão, estabilidade e possibilidade de especialização (pós-graduação, mestrado, doutorado).
Diploma, sim. Mas não apenas.
Talvez a melhor síntese do momento atual seja: o diploma continua relevante, mas deixou de ser suficiente por si só.
Atualmente, o mercado de trabalho valoriza a combinação entre formação tradicional, competências práticas, aprendizado contínuo e adaptabilidade.
As empresas buscam candidatos com habilidades técnicas (hard skills) e socioemocionais (soft skills), independentemente de formação exata. Isso favorece profissionais autodidatas, com portfólio, experiência prática ou certificações complementares.
Adicionalmente, é importante que o profissional avalie oportunidades no mercado de trabalho que possam ser alcançadas com formação técnica, como é o caso da enfermagem, elétrica e eletrônica, mecânica, segurança do trabalho e outras.
Entretanto, para algumas áreas de atuação o ensino superior continua indispensável, como é o caso da faculdade de Medicina. Assim, o importante é ponderar objetivos profissionais individuais e contexto da área do mercado de trabalho, optando por uma trajetória acadêmica e profissional compatível.






















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