Migração para nuvem, inteligência artificial e IoT lideram as inovações que transformam os sistemas ERP, setor que movimentará US$ 183 bilhões globalmente em 2024.
“Os sistemas ERP estão passando por mudanças significativas impulsionadas por novas tecnologias. O que observamos é, além de uma evolução incremental, uma transformação na arquitetura e nos modelos de implementação desses sistemas,” afirma Marco Salvo, Mestre do ERP e consultor especializado em transformação digital da Sankhya.
1. Integração de IA em sistemas de gestão
Quase tudo hoje tem alguma aplicação de Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML) e nos sistemas ERP essas integrações facilitam e otimizam o processamento de dados pelas empresas. Estas tecnologias também permitem a criação de aplicações capazes de adaptar-se com o tempo.
“A inteligência artificial que só automatizava tarefas repetitivas já é ultrapassada, hoje o principal diferencial está nos softwares que transformam a maneira como os dados são analisados e utilizados nos sistemas ERP,” explica Salvo. “Estamos vendo uma transição de sistemas que apenas registram transações para plataformas que interpretam dados e sugerem ações estratégicas baseadas em padrões identificados.”
Recursos como análise preditiva, automatização de processos e assistentes virtuais estão sendo incorporados aos ERPs modernos. Estas funcionalidades processam dados históricos e em tempo real para identificar padrões e fornecer informações para a tomada de decisões. Segundo a International Data Corporation (IDC), para as empresas que já utilizam IA, 14% afirmam que ela se tornou um fator-chave de sucesso para os processos que a habilitam.
2. Migração para Cloud Computing
Segundo dados de 2024, 10,1% das empresas brasileiras priorizam a migração para Cloud em seus investimentos tecnológicos e na visão do Salvo, isso não representa apenas uma mudança na infraestrutura, mas também uma reconfiguração completa na forma como as organizações pensam sobre escalabilidade e integração de sistemas. “O modelo SaaS está permitindo que empresas de todos os portes acessem funcionalidades que antes eram exclusivas de grandes corporações com orçamentos significativos para TI” destaca.
Os modelos de ERP baseados em nuvem utilizam serviços como Infrastructure as a Service (IaaS), Platform as a Service (PaaS) e Software as a Service (SaaS). Esta arquitetura permite o acesso a dados e aplicações remotamente, um aspecto técnico relevante no contexto atual de trabalho distribuído. A IDC também prevê que quase 30% dos gastos com ERP em 2025 serão direcionados para soluções providas no modelo SaaS.
3. Segurança de Dados e Conformidade
Com o aumento de ameaças cibernéticas, outra tendência determinante no setor é a segurança dos sistemas ERP como um componente técnico fundamental. “A segurança deixou de ser um componente adicional para se tornar um elemento estrutural. Com o aumento de regulamentações de proteção de dados em todo o mundo, a capacidade de demonstrar conformidade tornou-se tão importante quanto a própria proteção dos dados”, acrescenta Salvo.
As soluções atuais de ERP incorporam autenticação multifatorial, criptografia avançada, controles de acesso baseados em funções e ferramentas para conformidade com regulamentações de proteção de dados como LGPD no Brasil, GDPR na Europa e outras normativas internacionais que impactam empresas com operações globais.
4. Interfaces móveis e UX
Esta não é necessariamente mandatória, mas é uma tendência em evolução no mercado que ERPs sejam adaptados para funcionar em smartphones e tablets, permitindo acesso a dados e processos fora do ambiente de escritório. Além de uma questão de conveniência, no contexto atual, se torna uma necessidade operacional.
Esta tendência se manifesta via aplicativos nativos e interfaces responsivas que mantêm a funcionalidade em diferentes dispositivos. Os desenvolvedores estão implementando princípios de design centrado no usuário para reduzir a curva de aprendizado destes sistemas.
5. Integração com IoT
“A IoT está transformando os sistemas ERP de registradores passivos de dados para participantes ativos no processo produtivo. A capacidade de capturar dados do mundo físico em tempo real e incorporá-los aos fluxos de trabalho digitais melhora os níveis de visibilidade operacional que eram tecnicamente inviáveis há apenas alguns anos”, explica Salvo.
Essa conexão entre sistemas ERP e dispositivos IoT representa uma evolução técnica na coleta e processamento de dados, uma vez que permite o monitoramento de equipamentos, rastreamento de ativos e automação de processos logísticos. Quando conectados, sensores e dispositivos, transmitem dados diretamente para o ERP, eliminando a necessidade de entrada manual de informações e criando registros em tempo real de operações físicas.
6. A omnicanalidade no centro da estratégia
A integração dos canais de venda e comunicação com o cliente é uma tendência que vai muito além do conforto de acessar informações em qualquer dispositivo. O objetivo é criar uma experiência de compra unificada e fluida, onde o sistema de gestão atua como o cérebro da operação. Um exemplo prático é o cliente que compra de madrugada no aplicativo, acrescenta um item ao pedido na manhã seguinte pelo Televendas, paga via PIX no site e retira o produto na loja física.
Para que essa jornada seja possível, é fundamental que a gestão seja centralizada, e aqui que o ERP se torna a peça-chave. “A omnicanalidade deixa de ser apenas um conceito de marketing e se torna uma realidade operacional quando sustentada por um ERP robusto”, pontua Salvo. “O sistema centraliza as informações de todos os pontos de contato — do e-commerce à loja física, do atendimento por chatbot ao televendas —, garantindo que a empresa tenha uma visão 360º e coerente do cliente. Sem essa espinha dorsal tecnológica, a experiência omnichannel se fragmenta e perde seu valor estratégico.”
O Mercado de ERP em números
O mercado global de ERP está em expansão. Estudos da International Data Corporation (IDC) projetam que as soluções de ERP alcançarão US$ 4,9 bilhões em 2025, representando um crescimento de 11% sobre o ano anterior. No Brasil, a tecnologia ERP coloca o país entre as dez potências globais em sistemas de gestão, com investimentos que ultrapassam US$ 50 bilhões no setor.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), o mercado que considera pacotes como ERP e CRM deve alcançar US$ 5,6 bilhões em 2024, com projeção de crescimento de 11,6% sobre o ano anterior.
A pesquisa HG Insights indica que negócios de diferentes setores e portes, em todo o mundo, devem investir US$ 183 bilhões com software ERP ao longo do ano.
“O que estamos testemunhando é uma consolidação do ERP como espinha dorsal tecnológica das organizações. As empresas estão percebendo que, para implementar tecnologias emergentes como IA, blockchain ou análise avançada de dados, precisam primeiro ter uma base sólida de dados estruturados e processos integrados que só um sistema ERP maduro pode oferecer”, finaliza Salvo.
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