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Autismo em adultos: Psicóloga alerta sobre necessidade de debater o tema para garantir o bem-estar de pessoas atípicas em todas as fases da vida


A especialista em TEA Frínea Andrade comenta como funciona terapia em adultos 


As pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) representam de 1% a 2% da população mundial. No Brasil, aproximadamente dois milhões de indivíduos convivem com essa condição que atinge tanto crianças, como adultos. Segundo dados do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos, uma a cada 44 crianças têm autismo e, por ser uma condição que é levada por toda vida, continuam a fazer parte do espectro com o avançar da idade. Contudo, na sociedade atual, a discussão do transtorno na vida adulta ainda é restrita, mas compreender o funcionamento do autismo em cada fase da vida é fundamental para garantir a inclusão desses indivíduos. 


O transtorno do espectro do autismo é uma condição de saúde caracterizada por desafios  na comunicação verbal e não verbal, habilidades sociais e comportamentais, como interesse restrito, hiperfoco ou movimentos repetitivos. A condição se apresenta em diferentes graus e necessita de acompanhamento terapêutico para auxiliar no desenvolvimento das habilidades, inclusive na fase adulta. “Temos uma escassez de profissionais para trabalhar com pessoas a partir dos 12 anos de idade e é também neste momento de entrada na adolescência que as pessoas atípicas mais precisam de ajuda, pois estão descobrindo a sexualidade, constituindo sua identidade e se colocando enquanto sujeitos no grupo e, se para um adolescente típico já é um desafio lidar com essa fase, para uma pessoa atípica se torna muito mais complicado”, explica a psicóloga Frínea Andrade. 


O distúrbio do desenvolvimento do autismo abrange um grande espectro de características e necessidades que se manifestam de formas diferentes em cada indivíduo, exigindo formas de intervenção específicas. “Existe o autismo de alto funcionamento, em que a pessoa costuma apresentar altas habilidades em uma determinada área e ter as habilidades do cotidiano comprometidas, como a comunicacional. Esse tipo só acontece em 13% da população e são esses indivíduos que possuem uma maior facilidade de serem inseridos no mercado de trabalho”, pontua a especialista.


A psicóloga ainda explica para que serve o acompanhamento multiprofissional em cada classificação do transtorno autista. “Para as pessoas que possuem autismo leve, ou seja, tem um comprometimento de interação e habilidades sociais, a intervenção vai auxiliá-la a desenvolver essas habilidades. Os que têm autismo moderado terão uma maior dificuldade de ingressar no mercado de trabalho e, nesses casos, nós focamos em desenvolver habilidades da vida diária e ensinar uma profissão. Nos casos de autismo de nível 3, ou grave, que tem um maior comprometimento das funções pedagógicas, sociais e de linguagem, nós atuamos para oferecer as ferramentas para que este sujeito seja inserido na família e sociedade e aprenda atividades básicas, como tomar um banho, se vestir e se alimentar de forma independente”. 


Apesar da intervenção terapêutica ser indicada para início ainda na infância para facilitar o desenvolvimento das habilidades das pessoas atípicas, a psicóloga enfatiza: “nunca é tarde para começar.Não podemos pensar na educação de uma maneira formal, mas estar atentos às habilidades que esses jovens têm ou demonstram interesse. Se pintar, a intervenção terapêutica com a família pode fomentar para que ele se torne um artista, se ele gosta de cozinhar, podemos ajudá-lo a se tornar um cozinheiro. O autismo em adultos é uma realidade que precisa ser visível para garantir as respostas necessárias e possibilitar que pessoas atípicas encontrem a plenitude e o bem-estar que qualquer indivíduo tem direito”, alerta a psicóloga Frínea Andrade. 

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