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Professores e Sintepe se organizam para barrar retirada do espanhol da Matriz Curricular




No próximo dia 14 de março, às 9h, a Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa promoverá uma audiência pública para discutir a retira da obrigatoriedade do ensino de Espanhol da Matriz Curricular das Escolas de Referência e Escolas Técnicas Estaduais. O Sintepe vem denunciando na imprensa e entre a comunidade escolar esse retrocesso que afeta tanto estudantes quando professores.

No último sábado (03), O Sindicato realizou uma plenária com representantes dos professores e professoras de espanhol, estudantes, acadêmicos para discutir estratégias para reverter a Portaria SEE 637, de 29 de janeiro de 2018, que trata do tema.

O clima da plenária era de indignação, pois a medida é uma contradição com os últimos investimentos na língua feitos pelos/as trabalhadores/as em educação da rede estadual e com o crescente interesse pelo idioma, falado por todos os países que fazem fronteira com o Brasil (exceto Suriname e Guianas). "Muitos dos presentes se emocionaram, pois anos de dedicação e investimento podem ser destruídos com apenas uma canetada do governador", lembrou o presidente do Sintepe, Fernando Melo.

Fernando Melo também confirmou que o tema será colocado na Mesa com o Governo do Estado, em negociação marcada para 8 de março entre o Sintepe e as secretarias de Educação e de Administração. "Passa a fazer parte da pauta de reivindicações e passa a ser uma questão coletiva de interesse de toda a categoria", disse.

Para Imara Benfica, coordenadora do Curso de Espanhol da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a retirada o idioma da Matriz Curricular é uma ação ideológica e contrária a integração dos povos da América Latina. "Existe o reconhecimento da relevância do nosso trabalho, se não fosse importante, não seríamos alvo de ataque. Trata-se de uma reforma de cunho político, não se trata de novas concepções pedagógicas, mas concepções de mundo, retirar a formação crítica para gerar mão-de-obra barata", disse. "Levar o Espanhol para as escolas não é só levar o idioma, mas uma perspectiva mais ampla de integração", concluiu a professora.

Janaina Vanina, professora de espanhol da Escola de Referência Porto Digital, já teve parte de sua carga horária preenchida com aulas de Empreendedorismo e Direitos Humanos e Cidadania. Para ela, "uma frustração", pois não é especialista nas disciplinas. Janaina é uma das organizadoras do movimento de professores de espanhol e acredita que os docentes participarão mais ativamente das próximas atividades. "Eu não me sinto uma derrotada. Sinto-me mais forte para buscar aquilo no que acreditamos, investimos e nos dedicamos. Não adianta apenas reclamar, e sim, clamar. Desesperar jamais, acreditar na esperança que não vem do 'esperar', mas sim do 'esperançar'", disse, referindo a célebre frase do educador Paulo Freire.

Estiveram presentes representantes dos cursos de Espanhol da UFPE, do Departamento de Letras da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), do Conselho Estadual de Educação, da Associação dos Professores de Espanhol, da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Sinpro (Sindicato dos Professores), dentre outras instituições.

Ao final da reunião, os presentes deliberaram por crescer as mobilizações nas escolas envolvendo toda a comunidade escolar; participar da reunião do Conselho Estadual de Educação em 12 de março, buscando um diálogo com os conselheiros; buscar formas jurídicas de se contrapor à portaria; denunciar o sucateamento do Núcleo de Idiomas e participar da audiência pública. Após essas atividades, outra plenária será convocada para avaliação de resultados.

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